
A filiação do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa ao Democracia Cristã (DC) reposicionou a legenda na corrida presidencial de 2026, mas abriu uma crise interna com o ex-ministro Aldo Rebelo, que resiste à substituição como pré-candidato. Anunciado no início do ano como nome do partido, Rebelo afirmou que manterá sua candidatura até a convenção, mesmo que precise recorrer à Justiça.
A decisão de lançar Barbosa foi articulada nos bastidores desde abril, quando interlocutores do ex-ministro procuraram a cúpula do DC sinalizando sua disposição para disputar o Planalto. Diante do histórico de desistência de Barbosa em 2018, o partido adotou cautela inicial e encomendou pesquisas para medir sua viabilidade eleitoral. Os resultados indicaram maior potencial de voto em comparação a Rebelo, o que levou à mudança de estratégia.
O presidente nacional da sigla, João Caldas, justificou a escolha afirmando que Barbosa representa uma possibilidade de “união nacional” e reconstrução da confiança nas instituições. Segundo ele, o momento político exige “desprendimento” e superação de projetos pessoais.
A reação de Rebelo, contudo, tensionou o ambiente interno. O ex-ministro contestou a condução do processo e destacou que Barbosa ainda não se manifestou publicamente sobre a candidatura. Como alternativa, o partido chegou a oferecer a Rebelo a disputa por uma vaga no Legislativo, proposta rejeitada.
Nos bastidores, uma das hipóteses consideradas é a formação de uma chapa “puro-sangue”, caso o DC não consiga alianças com outras legendas. O episódio expõe as dificuldades de partidos menores em consolidar candidaturas competitivas e administrar disputas internas em um cenário eleitoral já marcado pela presença de nomes consolidados.