Reprodução/CBF TV

Os 26 escolhidos pelo técnico italiano Carlo Ancelotti para representar o Brasil na Copa de 2026 foram revelados na segunda (18) e, especialmente por conter Neymar entre eles, foram alvo de escrutínio intenso pela imprensa especializada.

Com o Brasil há 24 anos sem levantar a taça de campeão mundial – se fracassar em 2026 confirmará o maior jejum da história para o País – é natural que cada nome escolhido seja debatido tanto com paixão como racionalidade. O equilíbrio talvez resida no distanciamento que o futebol nem sempre permite.

Há grandes histórias como a de Léo Pereira, o zagueiro que chegou ao Flamengo contestado, deu a volta por cima e só foi convocado por Ancelotti na última Data FIFA. O jogador acabou no grupo que disputará o mundial. Weverton, que já disputou Copa e Olimpíadas, não era apontado sequer como possibilidades entre as apostas dos comentaristas de plantão. Ele não figurou entre o goleiros testados pelo italiano. Com as má fases de Hugo Souza, no Corinthians, e Bento, no Al-Nassr, a opção pela experiência do arqueiro gremista parece acertada. Até porque Alisson, titular absoluto, vem de uma lesão e Ederson, do Fenerbace, também andou falhando.

O fator Neymar

É possível enxergar a convocação de Neymar sob muitas óticas. Da pressão de patrocinadores e da mídia, de olho nos ganhos comerciais e de escala com a presença do polêmico jogador, a liderança técnica que indiscutivelmente o santista ostenta, a principal razão talvez seja o fato de que em um grupo sem craques, na acepção consagrada por Ronaldo, Romário, Kaká, Rivaldo e companhia limitada, prescindir de um jogador com o talento e assertividade de Neymar fosse uma loucura.

Sua presença na lista também tem um caráter preventivo. Ancelotti escuda-se de futuras críticas em caso de fracasso da seleção brasileira que, a bem da verdade, chega à Copa sem o favoritismo de outras edições. O Brasil é competitivo com o ou sem Neymar, mas com ele surge uma sombra para rivais que não seria possível de outra forma.

A ver em que condições técnicas e físicas o jogador estará na Copa. É inegável que se, bem administrado, pode ser um trunfo e tanto. Para ele o torneio representa a última chance de ganhar a Copa ou juntar-se a companhia de craques como Zico e Falcão que não ostentam uma Copa do Mundo no currículo.

O zagueiro Leo Perera/ CBF

Futebol brasileiro em alta

Além do jogador do Santos, Ancelotti convocou outros seis jogadores que atuam no futebol brasileiro. É a maior concentração de jogadores em atividade no País desde os anos 80. O Flamengo, com quatro convocados, é o clube que mais cedeu jogadores à seleção; seguido pelo Arsenal da Inglaterra. A Premier League foi a competição nacional com mais jogadores convocados.

Uma lista imperfeita

O próprio Ancelotti prenunciou sua convocação com o aviso de que não apresentaria “uma lista perfeita”, mas aquela com “as melhores informações técnicas disponíveis”. Ancelotti foi fiel a suas convicções e deu preferência aos nomes que mais experimentou na seleção e a outros que, mesmo em declínio técnico, contam com sua confiança. Casos de Casemiro, Danilo, Alex Sandro e Fabinho.

A opção por não convocar João Pedro, que muitos atribuem ao chamamento de Neymar, está mais ligada ao fato de Ancelotti apostar em um nome como Endrick, com quem já trabalhou no Real Madri. Aliás, estão no ataque as principais críticas e elogios a se fazer. A escolha por Rayan, uma joia bruta revelada no Vasco e que já brilha no futebol inglês, foi um tremendo acerto. Polivalente, veloz, técnico e excelente finalizador, Rayan pode ser o elemento surpresa para mudar cenários adversos. Em compensação, preterir Pedro, o craque flamenguista e melhor atacante em atividade na América Latina, é algo inexplicável em uma lista com nove atacantes.

Outro ponto frágil diz respeito à criatividade. Na ponta do lápis, apenas Neymar e Lucas Paquetá são jogadores de criação, de achar espaços e ditar o ritmo do meio campo. É claro que o Brasil já não conta com a profusão de jogadores com essas características como outrora, mas havia opções e Ancelotti pode se flagrar com as calças curtas em momentos de aperto. Matheus Cunha, do Manchester United, e Danilo Santos, do Botafogo, até podem exercer essa função, mas seriam soluções improvisadas.

Ancelotti clamou aos brasileiros para confiarem na seleção que foi 5ª colocada nas Eliminatórias, não apresenta um bom futebol e embarca para os EUA com seu principal craque sob suspeita. O elenco convocado é coeso e apto a grandes voos na Copa do Mundo. Apesar de muitas peças versáteis, não é um grupo que inspire favoritismo. O peso da camisa brasileira, porém, é e sempre será daqueles elementos místicos em Copas.

Veja também