
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Nurtec ODT, medicamento da Pfizer indicado tanto para o tratamento agudo quanto para a prevenção de crises de enxaqueca. A autorização foi publicada nesta segunda-feira (25) no Diário Oficial da União.
O remédio tem como princípio ativo o hemisulfato de rimegepanto sesqui-hidratado, molécula da classe dos antagonistas do CGRP — proteína ligada à transmissão da dor e à inflamação durante as crises. Ao bloquear a ação dessa substância no cérebro, o medicamento ajuda a interromper ou reduzir a crise. O principal diferencial do fármaco é unir em uma única medicação oral duas funções antes separadas: o alívio imediato da dor e a prevenção de novos episódios.
Diferente dos bloqueadores de CGRP já disponíveis no Brasil, em sua maioria injetáveis, o Nurtec é um comprimido orodispersível, que dissolve na boca. Outra vantagem é a ausência de vasoconstrição, efeito colateral que limita o uso de remédios tradicionais em pacientes com risco cardiovascular, tornando-o mais específico para a doença do que analgésicos comuns.
Um estudo de fase 3 publicado na revista The Lancet avaliou a eficácia do medicamento em adultos com histórico de enxaqueca. Após duas horas de dose única de 75 mg, 21% dos participantes ficaram sem dor, contra 11% no grupo placebo. A melhora no sintoma mais incômodo, náusea, sensibilidade à luz ou ao som, ocorreu em 35% dos casos tratados, ante 27% no placebo. Os eventos adversos mais comuns foram náusea e infecção urinária, em baixa frequência, sem registros de eventos graves.
O rimegepanto faz parte dos chamados “gepants”, medicamentos mais recentes desenvolvidos especificamente para enxaqueca. As apresentações aprovadas foram em cartelas com 2, 8 e 16 comprimidos de 75 mg, com registro válido até maio de 2036. A expectativa entre especialistas era alta havia anos, e pacientes brasileiros já importavam o medicamento por conta própria antes da aprovação nacional.