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Taba Benedicto/Estadão Conteúdo

A explosão registrada na tarde de segunda-feira (11) durante uma obra executada pela Sabesp no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo, entrou em uma nova fase nesta quarta-feira (13), com a Prefeitura de São Paulo e a Defesa Civil passando a avaliar a demolição parcial ou total de imóveis e prédios atingidos pela detonação. Segundo balanço atualizado das autoridades municipais e estaduais, ao menos 232 famílias seguem afetadas pelo acidente e permanecem fora de casa devido ao risco estrutural nas construções atingidas.

O acidente aconteceu por volta das 16h10 durante uma intervenção subterrânea da Sabesp na Rua Doutor Benedito de Moraes Leme, na Comunidade Nossa Senhora das Virtudes II. Segundo as primeiras informações da perícia e relatos apresentados pela Defesa Civil, uma tubulação de gás liquefeito de petróleo (GLP) da Comgás teria sido atingida durante uma obra de remanejamento da rede de água, provocando vazamento seguido de explosão e incêndio.

A força da explosão matou um homem de 49 anos, identificado como Alex Sandro Fernandes Nunes, deixou outras três pessoas feridas e destruiu parte significativa da área residencial próxima à obra. Um dos feridos é funcionário da própria Sabesp e outro permanece internado em estado grave, entubado em UTI.

A onda de choque provocada pela detonação se espalhou por todo o quarteirão, atingindo casas, prédios e condomínios próximos. Imagens aéreas divulgadas pela TV Globo e pelo Globocop mostram imóveis completamente destruídos, fachadas rompidas, estruturas metálicas retorcidas e apartamentos com rachaduras extensas. A explosão atingiu ao menos 35 casas e prédios da região.

Defesa Civil classifica imóveis e avalia demolições

Equipes da Defesa Civil, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), do Instituto de Criminalística e da Prefeitura seguem realizando vistorias detalhadas nos imóveis atingidos. Segundo o governo paulista, as estruturas passaram a ser classificadas em quatro níveis de risco: verde, amarelo, laranja e vermelho, conforme o grau de comprometimento estrutural.

Os imóveis classificados na categoria verde foram liberados para retorno imediato dos moradores. Os classificados como amarelos permitem apenas retirada de pertences. Já os enquadrados nas categorias laranja e vermelha seguem interditados devido ao risco de desabamento parcial ou total.

Segundo técnicos ouvidos pela TV Globo, alguns prédios apresentaram deslocamento de pilares, comprometimento de lajes, rachaduras profundas e deformações estruturais que podem inviabilizar a recuperação das construções. A possibilidade de demolição passou a ser considerada principalmente nos imóveis classificados em risco máximo.

Vídeos gravados por moradores mostram apartamentos parcialmente destruídos, muros projetados para fora das estruturas originais e residências completamente reduzidas a escombros. Moradores relataram que as construções “balançaram” no momento da explosão e afirmaram que pessoas chegaram a ser arremessadas pela força da onda de choque.

Moradores relatam cheiro de gás horas antes

O caso passou a gerar forte pressão sobre a Sabesp e a Comgás após moradores afirmarem que o cheiro de gás já era percebido desde o início da tarde, cerca de três horas antes da explosão. Segundo relatos publicados pela Agência Brasil e pelo Terra, moradores chegaram a procurar funcionários da Sabesp que trabalhavam na obra para alertar sobre o vazamento.

Uma moradora relatou que o cheiro de gás começou entre meio-dia e 13h e que precisou usar máscara dentro de casa devido à intensidade do odor. Outros moradores disseram ter sido orientados a não acender luzes nem utilizar fogões por risco de explosão.

Em nota conjunta, Sabesp e Comgás confirmaram que a explosão ocorreu durante uma obra de remanejamento de tubulação de água quando a rede de gás foi atingida. A Sabesp afirmou que os trabalhos foram interrompidos imediatamente após o incidente e que a Comgás foi acionada para contenção do vazamento.

Sabesp amplia auxílio após pressão

Após a repercussão negativa do caso, a Sabesp anunciou ampliação do auxílio emergencial destinado às famílias atingidas. O valor inicialmente anunciado, de R$ 2 mil, foi elevado para R$ 5 mil por família após críticas de moradores, parlamentares e da própria repercussão pública do acidente.

Segundo a Sabesp, parte das famílias já havia recebido os primeiros R$ 2 mil e terá direito ao complemento restante. As concessionárias também afirmaram que irão custear hospedagem em hotéis, alimentação, assistência médica, apoio psicológico e ressarcimento integral dos prejuízos materiais causados pela explosão.

Enquanto isso, centenas de moradores seguem sem previsão de retorno às residências. Parte das famílias está hospedada em hotéis pagos pelas concessionárias; outras permanecem em casas de parentes ou em estruturas provisórias organizadas pela assistência social da prefeitura.

Terceiro acidente fatal desde privatização

O acidente no Jaguaré ampliou a pressão política sobre a Sabesp e sobre o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), responsável pela privatização parcial da companhia concluída em julho de 2024.

Este é o terceiro acidente fatal envolvendo obras ou estruturas da Sabesp desde a privatização. Em setembro do ano passado, uma mulher de 79 anos morreu em Mauá após uma tubulação da empresa cair sobre sua casa durante uma obra em uma adutora. Já em março deste ano, um trabalhador terceirizado morreu e sete pessoas ficaram feridas após o rompimento de um reservatório de água ainda em construção em Mairiporã.

A sucessão de acidentes passou a alimentar críticas de setores da oposição, movimentos sociais e sindicatos sobre protocolos de segurança operacional, fiscalização de obras e terceirizações realizadas pela companhia após a privatização. A Arsesp abriu investigação para apurar as circunstâncias da explosão e poderá aplicar sanções administrativas às concessionárias dependendo do resultado das perícias técnicas.

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