Reprodução/Internet

A Braskem protocolou nesta segunda-feira (24) um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo para renegociar uma dívida de aproximadamente R$ 54 bilhões, a maior parte denominada em dólares. A medida abre uma nova etapa nas negociações com credores e prevê mudanças nos prazos e nas condições de pagamento.

Entre os principais credores estão detentores de títulos e instituições como BNDES, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander. A recuperação extrajudicial permite que a companhia negocie diretamente com os credores, sem passar pelo processo tradicional de recuperação judicial, mas depende de homologação da Justiça.

Para dar início ao procedimento, a Braskem precisa obter a aprovação de ao menos um terço dos credores envolvidos. Depois da homologação, a empresa terá 90 dias para apresentar e buscar a aprovação do plano de reestruturação, que exigirá maioria dos votos.

O pedido ocorre próximo ao fim de uma tutela judicial concedida pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que suspendeu por 60 dias determinadas execuções e bloqueios de bens. A companhia afirma ter intensificado as conversas com credores nas últimas semanas, mas não chegou a um acordo sobre o formato da reestruturação.

Entre as alternativas analisadas estavam uma possível capitalização e o uso de ativos como garantia. As negociações envolvem detentores e gestores de notas seniores e debêntures emitidas ou garantidas pela petroquímica.

A Braskem também buscou proteção nos Estados Unidos, onde a Justiça reconheceu preliminarmente a tutela brasileira e suspendeu medidas de cobrança.

Apesar de registrar lucro de R$ 3,33 bilhões no segundo trimestre, a empresa segue sob forte pressão financeira. A Fitch rebaixou sua classificação de crédito de C para RD, indicando inadimplência restrita, após o não pagamento de juros sobre obrigações financeiras.

Veja também