A trégua firmada entre EUA e Irã enfrenta crescente instabilidade poucos dias após seu anúncio, evidenciando a fragilidade do acordo e os desafios para uma solução diplomática duradoura no Oriente Médio. O cenário se agravou após novos ataques israelenses ao Líbano, que reacenderam tensões e colocaram em risco as negociações previstas entre as partes.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que a ofensiva israelense representa uma violação direta do cessar-fogo mediado pelo Paquistão. Segundo ele, a continuidade dos bombardeios pode tornar as negociações “sem sentido”, além de sinalizar falta de compromisso com um eventual acordo de paz. O líder iraniano também reforçou o apoio ao Líbano e indicou que o país pode abandonar as tratativas caso os ataques persistam.

A reação ocorre após o maior ataque de Israel ao território libanês desde o início do conflito, com mais de 250 mortos, segundo autoridades locais. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, defendeu a continuidade das operações militares, alegando que o combate ao Hezbollah não está contemplado no cessar-fogo firmado com os EUA e o Irã.

Essa divergência revela um dos principais pontos de tensão do acordo: a inclusão, ou não, do Líbano nos termos da trégua. Enquanto o governo paquistanês, liderado por Shehbaz Sharif, sustenta que o cessar-fogo abrange toda a região, incluindo o território libanês, EUA e Israel defendem que as ações contra o Hezbollah seguem fora desse escopo.

Paralelamente, o presidente dos EUA, Donald Trump, endureceu o discurso ao afirmar que tropas americanas permanecerão na região até a consolidação de um “acordo verdadeiro”. Ele também voltou a ameaçar retomar ataques em maior escala caso as negociações fracassem.

Além das disputas geopolíticas, o acordo enfrenta entraves técnicos relevantes, especialmente em torno do programa nuclear iraniano. O plano de dez pontos apresentado por Teerã inclui a manutenção do enriquecimento de urânio, ponto considerado inaceitável por Washington. Enquanto autoridades iranianas afirmam que houve concordância inicial dos EUA, Trump nega qualquer concessão e defende a eliminação completa do material nuclear iraniano.

Outro fator de instabilidade é o próprio descumprimento da trégua. Relatos indicam ataques de ambos os lados mesmo após o início do cessar-fogo, além de ações envolvendo países do Golfo, como interceptações de drones e mísseis. O fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo, reforça o impacto econômico e geopolítico da crise.

Com negociações formais previstas para começar em Islamabad, o ambiente é de incerteza. A combinação de violações no campo militar, divergências sobre termos-chave e desconfiança entre as partes coloca em xeque a viabilidade de um acordo definitivo, indicando que a trégua atual pode ser apenas uma pausa temporária em um conflito ainda longe de solução.

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