
Começou nesta segunda-feira (6) o novo prazo para que brasileiros sem cadastro biométrico regularizem sua identificação para acessar, manter ou renovar benefícios sociais. A medida, formalizada pela portaria nº 2.907/2026 publicada no Diário Oficial da União, marca mais uma etapa da implementação da biometria obrigatória vinculada à nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), que passa a concentrar a base de identificação civil do país.
O novo cronograma estabelece que o cadastro poderá ser feito até 31 de dezembro de 2026, com exigência efetiva a partir de janeiro de 2027 para quem ainda não possui qualquer registro biométrico em bases públicas. A mudança substitui a previsão anterior, que indicava impacto já a partir de maio deste ano, e responde à necessidade de ampliar o tempo de adaptação da população, sobretudo em regiões com menor acesso a postos de emissão ou a serviços digitais. Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a extensão do prazo busca evitar exclusão de beneficiários e permitir que o processo seja feito de forma gradual.
A exigência alcança beneficiários de programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e passa a ser condição para concessão, manutenção e renovação dos pagamentos. Na prática, o governo estabelece um novo padrão de verificação de identidade que deixa de depender de registros dispersos e passa a operar a partir de uma base unificada, com maior capacidade de cruzamento de dados.
Identificação única e integração de dados
O cadastro biométrico consiste na coleta das impressões digitais dos dedos das duas mãos e da imagem facial do cidadão, que passam a compor uma base nacional administrada pelo governo federal. A CIN, que adota o CPF como número único de identificação, torna-se o eixo central desse sistema, substituindo o modelo anterior, marcado pela coexistência de diferentes documentos e bases de dados não integradas.
A proposta é reduzir fraudes e impedir que terceiros recebam benefícios indevidamente, um problema recorrente em programas de transferência de renda. Ao consolidar a identificação em um único registro biométrico, o governo busca aumentar a segurança dos pagamentos e ampliar a capacidade de verificação em tempo real.
Além disso, a nova carteira amplia sua função para além da identificação básica. O documento permite a inclusão de dados adicionais, como tipo sanguíneo e opção por doação de órgãos, e pode integrar informações de outros registros, como Carteira Nacional de Habilitação (CNH), título de eleitor, carteira de trabalho e Cartão SUS. Esse movimento aponta para uma tentativa de transformar a CIN em uma plataforma central de serviços públicos.
Regra de transição até 2028
Para evitar interrupções no acesso aos benefícios, o governo estabeleceu um período de transição que preserva o uso de cadastros biométricos já existentes. Registros realizados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), à CNH ou ao passaporte continuarão válidos até 31 de dezembro de 2027, desde que tenham sido feitos até o fim de 2026.
Essa regra cria uma sobreposição temporária de sistemas, permitindo que a migração para a nova base seja feita de forma progressiva. A partir de 1º de janeiro de 2028, no entanto, apenas a biometria vinculada à Carteira de Identidade Nacional será aceita para fins de concessão e manutenção de benefícios.
A política de biometria obrigatória foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada em dezembro de 2024, sendo regulamentada por decreto em julho de 2025. O cronograma atual representa, portanto, um ajuste na implementação de uma medida já prevista em lei, agora adaptada às condições operacionais do país.
Como emitir e quem precisa fazer
A emissão da nova identidade exige agendamento prévio no portal da CIN, com escolha de data e local de atendimento no estado de residência. No dia marcado, o cidadão deve apresentar certidão de nascimento ou de casamento, que servirá como base para a validação dos dados.
A primeira via em papel é gratuita, e o documento também pode ser acessado em formato digital. Quem já possui a CIN não precisa realizar novo cadastro, já que a biometria é considerada única e definitiva.
Ao mesmo tempo, o governo busca ampliar a adesão ao documento como instrumento de acesso a serviços digitais. A CIN facilita a obtenção do nível ouro na plataforma Gov.br, o mais alto em termos de segurança, permitindo acesso ampliado a serviços públicos online.
Infraestrutura e alcance da medida
A implementação da biometria obrigatória será sustentada por um sistema de verificação que permitirá confirmar a identidade do cidadão a partir de características físicas únicas, como digitais e reconhecimento facial, no momento do atendimento. Essa estrutura utilizará tanto a base da CIN, que já reúne dezenas de milhões de brasileiros, quanto os dados da plataforma Gov.br, que ultrapassa 175 milhões de usuários.
Segundo o governo federal, mais de 150 milhões de brasileiros já possuem algum tipo de biometria registrada em bases públicas, o que deve facilitar a transição para o novo modelo. Até o início de 2025, cerca de 45 milhões de carteiras no padrão da CIN já haviam sido emitidas em todo o país.
A expectativa oficial é que a nova identidade se torne o principal documento civil do país até 2032, consolidando um sistema único de identificação e ampliando a integração entre diferentes políticas públicas.
Padronização e efeitos práticos
A nova portaria também estabelece que os órgãos responsáveis pelos programas sociais deverão publicar orientações próprias sobre como o cidadão deve realizar o cadastro biométrico e como esse processo será incorporado aos atendimentos. Com isso, o governo busca padronizar procedimentos e reduzir divergências operacionais entre diferentes políticas.
O movimento faz parte de uma agenda mais ampla de digitalização do Estado e de fortalecimento dos mecanismos de controle sobre benefícios públicos. Ao centralizar a identificação em uma base biométrica única, a gestão federal avança na tentativa de equilibrar expansão de programas sociais com maior rigor na verificação de identidade, em um contexto de pressão por eficiência e redução de irregularidades.
Serviço: o que muda com a biometria nos benefícios sociais
O que é exigido
O cadastro biométrico passa a ser obrigatório para concessão, manutenção e renovação de benefícios sociais. O registro inclui impressões digitais e reconhecimento facial, vinculados à Carteira de Identidade Nacional (CIN)
Quem precisa fazer
Cidadãos que ainda não possuem biometria registrada em bases públicas deverão realizar o cadastro para continuar acessando programas como Bolsa Família e BPC
Prazo
O cadastro pode ser feito até 31 de dezembro de 2026. A exigência passa a valer a partir de janeiro de 2027 para quem não tiver biometria
Regras de transição
Biometrias já existentes, como as do TSE, da CNH ou de passaporte, seguem válidas até 31 de dezembro de 2027, desde que tenham sido feitas até o fim de 2026
A partir de 1º de janeiro de 2028, apenas a biometria da CIN será aceita
Como fazer
O agendamento deve ser feito no site da Carteira de Identidade Nacional no estado do cidadão
No atendimento presencial, é necessário apresentar certidão de nascimento ou casamento
Custo
A primeira emissão da CIN em papel é gratuita
Quem não precisa refazer
Quem já possui a Carteira de Identidade Nacional não precisa realizar novo cadastro biométrico