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Um estudo brasileiro publicado na revista científica Sleep Science revela a frequência do uso de medicamentos para dormir entre pessoas com sintomas de insônia que buscavam tratamento psicológico. Dos 1.158 adultos avaliados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, 694, ou 60%, relataram usar algum medicamento para dormir.

Entre eles, 442 pessoas, equivalentes a 38% de toda a amostra, faziam uso contínuo, definido pelos pesquisadores como cinco a sete noites por semana. Outros 252 participantes utilizavam os medicamentos de uma a quatro noites semanais.

Os chamados medicamentos Z, categoria que inclui o zolpidem, foram os mais frequentes. O zolpidem foi o medicamento individual mais citado tanto entre usuários ocasionais quanto entre aqueles que faziam uso contínuo. No segundo grupo, 46% relataram utilizá-lo, ante 33% entre os usuários ocasionais.

Também apareceram benzodiazepínicos, antidepressivos sedativos, antipsicóticos e anticonvulsivantes. Alguns medicamentos foram mais frequentes entre usuários contínuos, como trazodona, pregabalina, quetiapina e mirtazapina.

Um dos dados que mais chamaram a atenção foi o uso sem prescrição. Entre os 694 participantes que tomavam medicamentos para dormir, 274, ou 40%, disseram utilizá-los sem orientação médica. Anti-histamínicos vendidos sem receita e relaxantes musculares estavam entre os produtos mais usados nesse grupo.

A coordenadora do estudo, Renatha El Rafihi-Ferreira, ressalta que os medicamentos podem ter papel importante no tratamento da insônia, mas sua indicação deve ser individualizada. Segundo a pesquisadora, o uso prolongado pode estar associado a tolerância e dependência, o que torna necessária a reavaliação médica.

O estudo também encontrou associação entre a gravidade da insônia e o uso de medicamentos. A cada ponto adicional no Índice de Gravidade da Insônia, aumentaram em 14% as chances de uso de remédios.

Os pesquisadores identificaram ainda maior probabilidade de uso entre participantes que se declararam brancos. O estudo, porém, não permite estabelecer a causa dessa diferença, que pode envolver fatores como acesso aos serviços de saúde, práticas de prescrição e desigualdades estruturais.

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