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O grupo EDGE, estatal de defesa e tecnologia dos Emirados Árabes Unidos, anunciou na quinta-feira (16) a compra de 100% da Akaer, empresa de engenharia aeroespacial sediada em São José dos Campos (SP). O valor da transação não foi divulgado, e a operação ainda depende de aprovações regulatórias, com previsão de conclusão entre três e cinco semanas.

Fundada em 1992, a Akaer acumula três décadas de atuação em projetos de peso na indústria aeroespacial mundial. A empresa participou do desenvolvimento do caça sueco Gripen NG, da Saab, e de diversos programas da Embraer, como o cargueiro militar KC-390, o Super Tucano, as famílias de jatos comerciais ERJ-E1 e ERJ-E2 e os executivos Legacy 450 e 500. Também prestou serviços de engenharia para o Boeing 747-8, o avião B-250 da fabricante Calidus e a frota brasileira de aeronaves de patrulha marítima P-3 Orion.

Com a aquisição, a EDGE amplia sua atuação para áreas como veículos aéreos não tripulados (VANTs), sensores ópticos, sistemas eletro-ópticos e infravermelhos, além de tecnologias ligadas ao setor espacial. Segundo o grupo, a Akaer manterá sua operação a partir do Brasil, preservando governança local, equipes e relacionamento com clientes. “A Akaer traz uma profundidade real de engenharia para a Edge”, afirmou o diretor-presidente da companhia, Hamad Al Marar, ao destacar a experiência da empresa brasileira na entrega de programas aeroespaciais complexos.

A compra é o terceiro movimento da EDGE na indústria de defesa nacional desde 2023. Naquele ano, o grupo adquiriu 50% da SIATT, também de São José dos Campos, responsável pelo desenvolvimento do Míssil Antinavio Nacional de Superfície em parceria com a Marinha do Brasil — um projeto que busca alternativa ao francês Exocet, historicamente dominante no mercado internacional de armamentos antinavio. Para sustentar a expansão da SIATT, a EDGE já investiu na construção de uma fábrica em Caçapava (SP), com parceria acadêmica prevista com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Em 2024, o grupo avançou para outro segmento ao comprar 51% da Condor Tecnologias Não Letais, do Rio de Janeiro, fabricante de itens como gás lacrimogêneo, spray de pimenta e munições de impacto controlado, com produtos exportados para 85 países. Segundo o CFO da EDGE no Brasil, Rodrigo Torres, o interesse no setor de segurança pública se explica pela limitação orçamentária da defesa latino-americana frente a um mercado de segurança bem mais amplo — citando como exemplo o efetivo da Polícia Militar de São Paulo, maior que o de diversos exércitos nacionais.

Antes da compra da Akaer, os investimentos da EDGE no país somavam cerca de R$ 3 bilhões, valor que deve crescer com a nova operação. Para especialistas do setor, as aquisições sucessivas refletem o interesse estrangeiro pela capacidade tecnológica brasileira e pela chance de aportar recursos em empresas competentes, mas com dificuldades históricas de financiamento. O movimento ocorre em meio a um ciclo de crescimento dos gastos militares globais, que somaram US$ 2,46 trilhões em 2024 — alta de 7,4%, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), mais que o dobro do ritmo registrado no ano anterior.

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