A crise entre Estados Unidos e Irã ganhou novos desdobramentos nesta segunda-feira (13), com o anúncio do presidente americano, Donald Trump, de que as forças dos EUA passarão a controlar o Estreito de Ormuz e impedirão a entrada e saída de navios iranianos e de seus parceiros comerciais. Em paralelo, uma reportagem do The New York Times revelou que o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad está em prisão domiciliar, acusado de participar de um suposto plano secreto elaborado por Israel para derrubar o regime dos aiatolás.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que os Estados Unidos serão os “guardiões do Estreito de Ormuz”, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo. Segundo ele, a passagem continuará aberta ao comércio internacional, mas embarcações ligadas ao Irã serão impedidas de utilizar a via. O presidente também anunciou a cobrança de uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo estreito para custear a operação militar americana, sem detalhar como a medida será implementada.

A iniciativa provocou reações imediatas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a cobrança como um ato de “pirataria”, afirmando que os Estados Unidos não podem assumir uma prática que historicamente combateram. Já o governo iraniano acusou Washington de transformar o estreito em uma zona de alto risco e advertiu que qualquer tentativa de interferência na administração da passagem será considerada um ato de guerra contra a soberania iraniana.

O novo anúncio ocorre após Trump declarar encerrado o memorando firmado em junho que havia suspendido o bloqueio ao comércio marítimo iraniano. O conflito entre os dois países se agravou desde fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram ataques conjuntos contra instalações militares iranianas.

Em meio à escalada militar, o New York Times informou que Ahmadinejad teria sido recrutado pelo Mossad, o serviço de inteligência de Israel, para colaborar em um plano destinado a substituir o atual regime. Segundo a reportagem, o ex-presidente forneceria informações estratégicas aos israelenses e seria resgatado durante os primeiros dias da guerra para reassumir o comando do país.

Ainda de acordo com o jornal, Ahmadinejad desistiu da operação antes de sua execução, mas acabou colocado em prisão domiciliar após o governo iraniano descobrir que ele havia mantido contatos com agentes israelenses. A revelação amplia o grau de tensão política em Teerã e evidencia que o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel se estende além do campo militar, envolvendo também disputas de inteligência e tentativas de influência sobre a estrutura de poder do regime iraniano.

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