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A ideia de que a personalidade se cristaliza na vida adulta acaba de ser contestada por um amplo estudo publicado na revista Communications Psychology, da Nature. A pesquisa, conduzida por universidades dos Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Holanda e Suíça, analisou a percepção de 887 adultos e dados reais de 166.971 pessoas, revelando que mudanças nos traços de personalidade são mais comuns e mais intensas do que se imaginava.

O trabalho investigou os cinco grandes traços da personalidade, conhecidos como big five: extroversão, amabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e abertura à experiência. Segundo os autores, esses traços continuam a se desenvolver ao longo da vida, apresentando alterações comparáveis, e até superiores, às observadas em fatores como satisfação com a vida, saúde subjetiva, renda e autoestima.

Amanda J. Wright, professora da Texas A&M University e uma das autoras do estudo, destaca que a vida adulta deve ser vista como um período ativo de desenvolvimento. “A personalidade não fica fixada como gesso”, afirma. A pesquisa mostrou que, embora as pessoas acreditem que mudam pouco após a adolescência, essa percepção é subestimada quando comparada aos dados reais.

O estudo também aponta razões para essa impressão de estabilidade: fatores cognitivos e sociais levam as pessoas a interpretar comportamentos de acordo com expectativas prévias, reforçando a sensação de constância. Essa crença, porém, pode limitar o desejo de mudança e reduzir o apoio a intervenções de desenvolvimento pessoal.

Os autores ressaltam que os resultados refletem principalmente países ocidentais e que diferenças culturais podem influenciar a forma como a personalidade evolui. Ainda assim, o estudo reforça uma mensagem central: mudar é possível e acontece ao longo de toda a vida.

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