A Copa do Mundo 2026 começa sob a mancha da violação de direitos humanos, mas a FIFA está longe de se importar em levar o palco do futebol para países sob regimes autoritários. O que vale é o dinheiro. Basta lembrar que as duas últimas edições foram no Catar, uma monarquia absolutista, e na Rússia, de Putin.

Mas o que viveremos este ano é diferente. Temos, agora, o ineditismo de acompanhar o primeiro Mundial à mercê do comando de um líder da extrema direita neste século, o que pode deixar sequelas dentro e fora de campo. Donald Trump já causa polêmica antes mesmo de a bola rolar e vai usar a Copa do Mundo como mais um palco para sua demonstração de poder.

A Casa Branca comanda o VAR político da Copa, enquanto a FIFA diz amém. A coletiva de Infantino, o presidente da poderosa mandachuva das quatro linhas, foi vergonhosa. Uma encenação construída para passar pano para a série de violações e perseguições que a imigração norte-americana cometeu na chegada de delegações e demais credenciados.

Trump expulsou um árbitro da Somália, considerado o melhor da África e promoveu revistas humilhantes a jogadores e membros de delegações do Senegal e do Uzbequistão. Um atleta iraniano foi interrogado por sete horas. A seleção do Irã não tem o direito de treinar em solo norte-americano. O que mais ele vai fazer até 19 de julho?

E o que diz Infantino, o presidente da FIFA? “Eu tenho uma grande relação com o presidente Trump, fico feliz por isso. Não seria possível organizar uma Copa do Mundo sem o envolvimento dele. Ele entendeu a magnitude, o impacto e colocou a administração para ajudar”.

Que fique claro: Infantino é marionete. O mandachuva, de agora até o final da Copa, é Donald Trump.

Marionete de bolso cheio, vale o registro. Infantino deixa claro que não se preocupa com a bola, mas com a bolada. Jogando com as regras dos esportes americanos, a FIFA pratica preços astronômicos para os ingressos e espera embolsar um faturamento recorde de quase 16 bilhões de dólares. É o mercado paralelo que inflaciona o valor dos ingressos, diz o presidente da entidade, lavando as mãos. O torcedor que não puder desembolsar pequenas fortunas para ir ao estádio, tem sempre a opção de assistir pela televisão.  

Já houve o tempo em que o futebol era capaz de parar guerras. Hoje, a FIFA faz questão de deixar o jogo em segundo plano, contar seus bilhões e baixar a cabeça para o autoritarismo trumpista. Que saudade o futebol deve sentir de uma democracia de verdade.

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