O governo Luiz Inácio Lula da Silva prepara para a próxima semana o anúncio de que a chamada demanda reprimida do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi eliminada. Em entrevista ao SBT News, o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou que “tecnicamente a fila do INSS já está zerada”. Segundo ele, a equipe da pasta trabalha nos últimos ajustes antes da divulgação oficial dos números. “Estamos nos ajustes finais para apresentar os dados e temos números ainda melhores do que esse da fila”, declarou.
A informação foi antecipada pelo presidente Lula durante sabatina na TV Globo, na noite de quinta-feira (27), e deve ser utilizada pelo Palácio do Planalto como uma das principais realizações do atual mandato em uma área historicamente associada a problemas administrativos, longas esperas e denúncias de fraude.
Os números apresentados pelo governo mostram uma redução expressiva da fila considerada crítica. Em janeiro de 2026, havia 1,88 milhão de pedidos de benefícios com atraso superior a 45 dias. Em agosto, esse contingente caiu para 261 mil, uma redução de 86%. É esse estoque de requerimentos atrasados que o governo considera como a demanda reprimida e, portanto, como referência para o anúncio de que a fila foi zerada tecnicamente.
O quadro, porém, exige uma distinção. O estoque total de solicitações do INSS chegou a 1,28 milhão em agosto, segundo dados apresentados ao Conselho Nacional de Previdência Social. O número representa queda de 59% desde o início do ano, quando havia 3,07 milhões de requerimentos.
A redução também foi acompanhada por melhora no tempo médio de análise, atualmente em cerca de 35 dias, mais de 40% abaixo dos níveis anteriores. Entre janeiro e julho, o instituto concedeu aproximadamente 730 mil benefícios por mês, impulsionado por bônus de produtividade, mutirões, digitalização e mudanças operacionais.
Apesar dos avanços, a fila total permanece acima de 1 milhão de pedidos, enquanto cerca de 1,3 milhão de novas solicitações chegam mensalmente ao sistema. A diferença entre estoque total e demanda reprimida deve ser central no anúncio do governo e na disputa política em torno da promessa de reduzir a espera no INSS.