
O Palácio dos Bandeirantes definiu as prioridades legislativas para o início de 2026 e já antecipa um cenário de disputas intensas na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) informou à presidência da Casa que pretende aprovar, ainda no primeiro trimestre, três projetos centrais: a reorganização das carreiras da Educação, a reestruturação do saneamento básico no interior do estado e o plano estadual de recursos hídricos.
Segundo o presidente da Alesp, André do Prado (PL), os dois primeiros temas são considerados mais sensíveis e têm potencial para acirrar os debates, sobretudo pela proximidade do calendário eleitoral. A proposta que altera a carreira dos profissionais da Educação, enviada em dezembro, ainda precisa passar por comissões e por uma audiência pública com participação de professores e sindicatos. Governistas admitem dificuldades na tramitação, enquanto a oposição já articula obstruções e possíveis ações judiciais.
Outro foco de resistência é o projeto de regionalização do saneamento, que prevê a unificação, em uma única unidade regional, de municípios hoje fora da área de atuação da Sabesp. O governo sustenta que a medida facilitará investimentos, mas parlamentares da oposição enxergam o texto como um passo inicial para a privatização dos serviços.
Enquanto aliados afirmam que os principais projetos do mandato já foram aprovados, temas sensíveis como a nova Lei Orgânica da Polícia Civil seguem fora da pauta, sem consenso com sindicatos. A expectativa é que a proposta só avance após as eleições de outubro.
Com o início oficial da campanha em agosto e restrições impostas pela legislação eleitoral, deputados avaliam que a Alesp deve acelerar votações no primeiro semestre, antes do esvaziamento do plenário e da ida dos parlamentares às bases eleitorais.