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Pesquisa do Desinfo.Pop, laboratório ligado à FGV EAESP, revela que comunidades digitais da machosfera no Brasil operam como espaços de circulação política que vão muito além de discussões sobre identidade masculina. O estudo, publicado em nota técnica, analisou 85 comunidades no Telegram entre 2015 e 2025, processando mais de 7 milhões de conteúdos. Coordenado por Julie Ricard e equipe multidisciplinar, a pesquisa combinou métodos quantitativos e qualitativos para mapear menções a lideranças políticas e discursos recorrentes nesses ambientes.

Os resultados indicam que temas eleitorais, ideológicos e de liderança permeiam continuamente as interações, conectando debates sociais e políticos em narrativas integradas. Foram identificadas mais de 15 mil menções a figuras políticas, demonstrando que a política ocupa lugar permanente nesses grupos. As lideranças são frequentemente avaliadas segundo valores associados à masculinidade, moldando percepções sobre autoridade, legitimidade e poder.

Outro achado relevante é a sistemática oposição a políticas de gênero. Iniciativas de educação sexual e proteção das mulheres são retratadas como ameaças, amplificando desconfianças e resistências sociais. Adicionalmente, os pesquisadores constataram que discursos de ódio se articulam com outras formas de discriminação, como racismo e preconceito contra pessoas LGBTQIA+, normalizando desigualdades e práticas excludentes.

A machosfera, portanto, funciona como espaço de socialização ideológica, influenciando tanto a circulação quanto a formação de opiniões sobre política, sociedade e direitos. Compreender essa dinâmica digital torna-se essencial para enfrentar desafios contemporâneos do debate democrático e das políticas públicas no Brasil.

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