O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, intensificou a ofensiva diplomática do país ao apresentar uma lista de pontos considerados inegociáveis a serem transmitidos aos EUA durante visitas recentes ao Paquistão e a Omã. Segundo a agência estatal iraniana Fars, os termos incluem questões nucleares e o controle do Estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio global de petróleo.

Apesar do gesto, Teerã afirma que a troca de mensagens não configura uma retomada formal das negociações com Washington, mas sim uma tentativa de esclarecer posições diante da escalada do conflito. Araghchi seguiu para a Rússia, onde se reuniu com o presidente Vladimir Putin em Moscou nesta segunda-feira (27), reforçando a aliança entre os dois países.

Durante o encontro, Putin revelou ter recebido uma mensagem do novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, sem detalhar seu conteúdo. O líder russo declarou apoio ao Irã e afirmou que trabalhará por uma solução que atenda aos interesses regionais e leve ao fim do conflito “o mais rápido possível”.

A guerra, iniciada em 28 de fevereiro após ataques coordenados dos EUA e de Israel contra alvos em Teerã, já deixou milhares de vítimas. Segundo organizações de direitos humanos, mais de 1.900 civis morreram no Irã, enquanto a Casa Branca confirmou ao menos 13 mortes de militares americanos. Em retaliação, o Irã lançou ofensivas contra interesses dos dois países em diversas nações do Oriente Médio.

No campo diplomático, Teerã propôs reabrir o Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio naval imposto pelos EUA e da interrupção das hostilidades. A proposta, no entanto, adia discussões sobre o programa nuclear iraniano, que é um dos principais pontos de impasse.

O presidente Donald Trump reagiu com ceticismo, reiterando que o Irã deve interromper o enriquecimento de urânio e sinalizando a manutenção das sanções e do bloqueio econômico. Segundo Trump, a pressão sobre as exportações de petróleo iranianas visa forçar Teerã a ceder nas próximas semanas.

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