Pixabay

O aumento dos casos de câncer entre adultos jovens pode estar relacionado não apenas à exposição a fatores ambientais e mudanças no estilo de vida, mas também a um possível envelhecimento biológico acelerado. A hipótese foi levantada por um estudo publicado na Nature Medicine e reacende o debate sobre o crescimento global dos chamados cânceres de início precoce.

A pesquisa não avalia a aparência física ou o nível de atividade dos indivíduos, mas marcadores moleculares que indicam como o organismo envelhece. Os autores, no entanto, ressaltam que se trata de uma hipótese, e não de uma relação causal comprovada.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os diagnósticos de câncer em pessoas com menos de 50 anos aumentaram 24% entre 1990 e 2019. O crescimento tem sido observado principalmente em tumores sólidos, como os de pulmão, do sistema digestivo e do útero. Obesidade, sedentarismo, consumo de ultraprocessados, tabagismo, estresse e exposição a poluentes estão entre os fatores investigados, embora nenhum explique sozinho a tendência global.

Liderados pela epidemiologista molecular Yin Cao, da Universidade de Washington, os pesquisadores analisaram dados genéticos de 154.169 pessoas do Biobank do Reino Unido. O estudo identificou diferenças maiores entre idade biológica e cronológica em indivíduos nascidos entre 1965 e 1974 do que entre aqueles nascidos de 1950 a 1954. O resultado foi validado em mais de 10 mil participantes de um programa de pesquisa nos Estados Unidos.

Entre os americanos nascidos entre 1990 e 1999, os millennials apresentaram uma taxa de diferença entre idade biológica e cronológica 92% maior que a observada em pessoas nascidas entre 1965 e 1969.

Ao longo de 15 anos, indivíduos com envelhecimento biológico mais acelerado tiveram maior probabilidade de desenvolver, em idades mais precoces, cânceres de pulmão, do trato gastrointestinal e do útero.

A idade biológica é estimada a partir de marcadores como metilação do DNA, telômeros, microRNAs, proteínas inflamatórias e sinais de estresse oxidativo. O estudo também apontou diferenças entre órgãos: o envelhecimento precoce do sistema imunológico se associou mais ao câncer de pulmão, enquanto alterações no tecido adiposo apareceram relacionadas ao câncer colorretal.

Os pesquisadores afirmam que os resultados podem ajudar a identificar mecanismos associados ao avanço do câncer precoce e orientar futuras estratégias de prevenção.

Veja também