
A pouco mais de duas semanas do primeiro turno, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a agenda de medidas com impacto direto sobre renda, consumo, saúde e serviços públicos. O movimento ocorre em meio ao acirramento da disputa presidencial, com Lula e Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados em diferentes pesquisas.
No Datafolha divulgado em 17 de setembro, Lula aparecia com 39% contra 36% de Flávio no primeiro turno. No segundo, o placar era de 46% a 44%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Já o levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira (21) mostrou Lula com 40% e Flávio com 37% no primeiro turno e 46% a 45% no segundo, também em empate técnico.
Nesse contexto, uma das principais medidas anunciadas foi o reajuste de 15,04% do Bolsa Família. O benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio estimado chegará a R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro e alcançarão cerca de 19 milhões de famílias.
A medida atinge um segmento no qual Lula registra vantagem. No Datafolha, 53% dos beneficiários do programa declararam voto no presidente, contra 28% em Flávio.
Outra frente é a saúde. Lula anunciou a intenção de oferecer gratuitamente pelo SUS medicamentos injetáveis contra obesidade, conhecidos como canetas emagrecedoras. A eventual incorporação, porém, ainda depende de avaliação do Ministério da Saúde, definição de critérios clínicos e análise de impacto orçamentário.
O governo também prepara mudanças nas regras das apostas online. A discussão envolve uma medida provisória para restringir cassinos virtuais e endurecer a regulamentação das bets. A iniciativa é apresentada pelo governo em associação com questões como endividamento e perda de renda das famílias, mas enfrenta resistência de setores ligados ao futebol e à indústria de publicidade.
A agenda inclui ainda a proposta de elevar o limite anual de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de permitir a contratação de até dois funcionários.
As medidas atingem públicos distintos: beneficiários de programas sociais, trabalhadores autônomos, consumidores de serviços de saúde e famílias afetadas pelas apostas. A combinação passou a ocupar espaço relevante na agenda do governo justamente quando a disputa eleitoral entrou em sua fase final.