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Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) abriu nesta sexta-feira (22) as inscrições do Sistema de Seleção Unificada 2026, o Sisu, programa que reúne vagas em universidades públicas federais, estaduais e institutos federais de todo o país. O processo seletivo utiliza exclusivamente as notas do Exame Nacional do Ensino Médio como critério de classificação e é considerado hoje a principal porta de entrada para o ensino superior público brasileiro.

Segundo o MEC, o sistema disponibiliza milhares de vagas distribuídas em cursos presenciais de graduação em diferentes regiões do país. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente pela internet, por meio do portal oficial do Sisu. Podem participar estudantes que realizaram o Enem 2025 e não zeraram a redação.

A edição deste ano ocorre em meio a um esforço do governo federal para ampliar o acesso ao ensino superior e reduzir a ociosidade de vagas em instituições públicas. O MEC também busca aumentar a ocupação em cursos de licenciatura, engenharia e áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país.

Como funciona o Sisu

Criado em 2010, o Sisu centraliza a seleção de estudantes para universidades públicas de todo o Brasil usando o desempenho no Enem. Durante o período de inscrição, os candidatos podem escolher até duas opções de curso e alterar as escolhas quantas vezes desejarem até o encerramento do prazo.

A classificação é atualizada diariamente com base nas notas de corte parciais, mecanismo que permite ao estudante acompanhar suas chances de aprovação em tempo real.

Segundo o MEC, o sistema mantém políticas de cotas previstas na Lei de Cotas, que reserva vagas para estudantes de escolas públicas, pessoas de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e quilombolas, além de pessoas com deficiência. Nos últimos anos, o programa passou a concentrar praticamente toda a entrada regular das universidades federais brasileiras.

Governo tenta reduzir evasão e vagas ociosas

A edição de 2026 acontece em um contexto de preocupação crescente com evasão universitária e vagas não preenchidas em instituições públicas.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que cursos ligados às áreas de exatas, licenciaturas e engenharia apresentam altos índices de desistência nos primeiros anos de graduação.

Além disso, universidades federais vêm registrando aumento de vagas remanescentes em determinadas regiões, especialmente em cidades do interior.

O MEC afirma que pretende fortalecer programas de permanência estudantil, assistência financeira e ampliação de bolsas para reduzir abandono universitário. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, a meta do governo é ampliar acesso e permanência no ensino superior público.

“O desafio não é apenas garantir entrada na universidade, mas criar condições para que o estudante consiga concluir sua formação”, afirmou o ministro em evento de lançamento do processo seletivo.

Disputa segue concentrada em medicina e tecnologia

Mesmo com ampliação do número de vagas ao longo dos últimos anos, cursos como medicina, ciência da computação, direito e engenharia continuam entre os mais concorridos do Sisu.

Especialistas apontam que a expansão do setor de tecnologia e inteligência artificial aumentou a procura por cursos ligados à computação e engenharia de software.

Ao mesmo tempo, universidades federais passaram a investir em novos formatos de graduação interdisciplinar e cursos voltados à economia verde, inovação tecnológica e transição energética.

Instituições como Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) seguem entre as mais procuradas do sistema.

Calendário prevê chamadas e lista de espera

Após o encerramento das inscrições, o MEC divulgará o resultado da chamada regular e abrirá o período de matrícula nas instituições selecionadas.

Estudantes não aprovados poderão manifestar interesse na lista de espera, utilizada pelas universidades para preenchimento de vagas remanescentes ao longo das semanas seguintes.

Segundo especialistas em educação, a lista de espera se tornou etapa decisiva do processo seletivo, principalmente em cursos concorridos e universidades de grande porte.

O MEC recomenda que candidatos acompanhem diariamente o portal oficial do Sisu para verificar notas de corte, cronograma atualizado e orientações específicas de matrícula de cada instituição participante.

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