Reprodução | Andre Weiss (esquerda) e o advogado João Buttini

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou à Justiça André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária e considerado o número 3 da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP), por suspeita de participação em um esquema de corrupção envolvendo a liberação de créditos de ICMS. Weiss responde, segundo a denúncia, pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa.

Preso desde 3 de setembro, quando foi alvo da Operação Caldarium, Weiss é acusado de integrar uma estrutura que teria recebido propina para favorecer empresas em processos de análise e ressarcimento de créditos tributários. Também foram denunciados os auditores fiscais Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como “Rei Artur”, e Kunio Shimada, além do advogado João André Buttini de Moraes.

De acordo com o MP, Buttini ocupava posição central no núcleo privado da organização. Ele seria responsável por captar contribuintes e intermediar os pagamentos destinados aos servidores públicos. A investigação estima que aproximadamente R$ 13,6 milhões tenham sido repassados em propina entre 2021 e 2025.

Desse montante, cerca de R$ 4,5 milhões teriam chegado a Weiss em dinheiro vivo. Segundo os investigadores, os pagamentos eram entregues em mochilas durante encontros realizados em restaurantes e outros estabelecimentos de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo.

Weiss ocupou diferentes posições de comando na administração tributária paulista até chegar à Diretoria Executiva da Administração Tributária (Deat), terceiro posto na hierarquia da Fazenda. Ele permaneceu no cargo até maio deste ano.

A investigação também recuperou uma gravação de julho de 2023 na qual Weiss conversava com outros fiscais sobre a possibilidade de comprar uma sauna. Segundo o MP, o estabelecimento poderia ser utilizado para movimentar e lavar dinheiro em espécie. A referência deu origem ao nome da operação: Caldarium, termo associado às salas de banho quente das antigas termas romanas.

Além de Weiss e Buttini, presos na deflagração da operação, Artur Gomes já havia sido detido anteriormente nas investigações. O MP pediu a manutenção das prisões de Weiss, Buttini e Artur e a prisão preventiva de Shimada.

A defesa de Buttini afirmou que ainda não teve acesso aos autos, protegidos por sigilo. Os pedidos serão analisados pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores.

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