A segunda fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Operação Fluxo Oculto, revelou a utilização de fintechs para movimentação e lavagem de recursos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a identificação das irregularidades só foi possível graças à ampliação do acesso da Receita Federal a informações financeiras enviadas por instituições de pagamento e fintechs.
Em declaração nesta quinta-feira (28), Durigan afirmou que o governo pretende intensificar o combate ao crime organizado por meio do rastreamento de fluxos financeiros. De acordo com ele, as investigações também identificaram o uso de criptoativos em esquemas de lavagem de dinheiro.
O monitoramento foi reforçado com a implementação da e-Financeira, sistema que passou a exigir, desde 2025, o envio periódico de informações por fintechs e outras instituições que antes não estavam sujeitas à mesma obrigação dos bancos tradicionais. Com a mudança, mais de 450 empresas passaram a fornecer dados à Receita Federal.
Segundo o Ministério da Fazenda, das seis fintechs investigadas na operação, três entregaram declarações informando movimentações de aproximadamente R$ 8 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025. As outras três deverão ser autuadas por descumprirem a obrigação de prestar informações ao Fisco.
A Operação Fluxo Oculto é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal. Ao todo, estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
As investigações apontam que a organização criminosa manteve atividades de lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis e sonegação fiscal mesmo após a primeira fase da operação, realizada em 2025. Entre os principais alvos estão empresários, operadores logísticos e pessoas utilizadas como laranjas.
De acordo com os investigadores, o grupo centralizava operações de dezenas de postos de combustíveis para dificultar a fiscalização. Em um dos casos identificados, 56 postos movimentavam recursos por meio de uma única conta. O esquema também incluía a importação de nafta para adulteração de combustíveis, prática que gerava ganhos com a sonegação de impostos posteriormente direcionados a investimentos em fintechs utilizadas para ocultar a origem dos recursos.