Reprodução/ATP

Com Novak Djokovic se aproximando do fim da carreira, o circuito masculino busca um novo Big 3. Enquanto o italiano Jannick Sinner e o espanhol Carlos Alcaraz dominam o topo do ranking, a pergunta que paira no ar é: quem será o terceiro nome a compor esse grupo de elite? No Brasil, a torcida é por João Fonseca, mas os números e a trajetória recente da ATP indicam que Rafael Jodar pode ser o candidato mais forte para assumir esse papel.

Aos 19 anos (completará 20 em 17 de setembro), o espanhol Rafael Jodar foi eliminado nas semifinais do Master 1000 de Montreal nesta semana, após uma campanha que reforçou seu status de promessa mais consistente do tênis mundial. O jovem tenista está a um passo de quebrar o recorde de subida mais rápida ao Top 10 da história. O alemão Boris Becker levou 210 dias, em 1985, para alcançar o Top 10 depois de ingressar entre os 100 melhores do mundo. Jodar começou 2026 muito atrás: era o número 168 do mundo. Em março entrou no Top 100. Na próxima semana, em Cincinnati, deve quebrar o recorde de Becker. Ele está há 136 dias no Top 100 e vai finalizar esta semana na 13ª posição do ranking. Para se ter uma ideia, Carlos Alcaraz levou 336 dias para ir do Top 100 ao Top 10.

Mentalidade como diferencial

No tênis, a força mental é tão importante quanto a técnica. E é aí que Jodar se destaca. Enquanto João Fonseca, também uma promessa de alto nível, ainda luta para manter a regularidade emocional em momentos de pressão, o espanhol tem mostrado uma resiliência notável. E os números não mentem. Ele tem segundo melhor aproveitamento de break points do circuito em 2026 (44,5% de conversão), atrás apenas de Tomáš Macháč. Ele demonstra consistência em todos os pisos e alcançou a fase de quartas de final em suas estreias em grand slams.

Seguindo os preceitos de Rafael Nadal, Jodar constrói pontos com groundstrokes pesados e precisos, uma característica que o coloca em vantagem em qualquer superfície. O que ratifica que a principal diferença entre Jodar e Fonseca, até aqui, não está apenas no jogo, mas na capacidade de manter a frieza sob pressão. Enquanto o brasileiro ainda busca a estabilidade emocional, o espanhol já age como um veterano em quadra.

Escola espanhola em alta

Jodar não é apenas mais um tenista promissor. Ele reafirma a primazia da escola espanhola no tênis contemporâneo, seguindo os passos do ainda jovem, mas imensamente vencedor Carlos Alcaraz e de Rafael Nadal. A Espanha segue produzindo jogadores tecnicamente completos, mentalmente fortes e adaptáveis a qualquer superfície.

Seu estilo de jogo, agressivo e baseado em potência, lembra o de Jannik Sinner, mas com a solidez defensiva típica dos espanhóis. E, ao contrário de outros jovens, Jodar já mostra resultados consistentes nos principais torneios, não apenas em eventos de menor expressividade.

Se o espanhol mantiver essa trajetória, não será surpresa vê-lo disputando finais de Grand Slam já em 2027. A Espanha, mais uma vez, pode ter nas mãos o próximo grande nome do tênis mundial.

Veja também