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Popularizado na esteira da pandemia de Covid-19, o home office consolidou-se na rotina do funcionalismo público federal. Atualmente, 20% do total de servidores ativos do Executivo, o equivalente a um em cada cinco, atuam sob regime de teletrabalho, seja ele híbrido ou integral. Se considerado apenas o universo de 445 mil trabalhadores cujas funções são elegíveis a esse modelo, o índice sobe para 24%.

Segundo dados de maio divulgados pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), são 107,8 mil servidores atuando à distância. Trata-se de um salto de aproximadamente 28% em comparação a outubro de 2024, quando 84,2 mil pessoas trabalhavam de forma remota. Esse crescimento foi capitaneado principalmente pelo modelo híbrido, que hoje abriga a maioria absoluta dos adeptos: 73,6 mil servidores (68,4%). Outros 33,5 mil (31,1%) atuam em regime integral remoto e 527 trabalham no exterior (0,5%).

O grande motor dessa expansão é o Programa de Gestão e Desempenho (PGD). Instituído em 2022 e implementado plenamente no final de 2024, o programa substitui o tradicional controle eletrônico de ponto pelo monitoramento de metas e resultados. Atualmente, 147,8 mil servidores participam do PGD — incluindo 39,6 mil que atuam presencialmente. De acordo com o MGI, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) indicou que o modelo aprimorou a gestão por desempenho e reduziu gastos com aluguel de imóveis, infraestrutura e mobiliário.

A adesão, contudo, é heterogênea. O próprio MGI lidera a proporção de teletrabalho entre grandes órgãos, com 67% de sua força de trabalho no regime, seguido pela Fazenda (56%) e Advocacia-Geral da União (53%). Na outra ponta, instituições como o IBGE buscam endurecer as regras, restringindo a modalidade para novos servidores aprovados no Concurso Nacional Unificado (CNU).

“O risco do controle tradicional do ponto é criar uma aparência de gestão. O servidor está presente, mas isso não significa necessariamente que está entregando bem. No serviço público, a eficiência deve ser medida pelo resultado para o cidadão”, avalia Asafe Silva, advogado especialista em gestão pública, em entrevista ao O GLOBO.

Enquanto o Brasil avança na consolidação do modelo baseado em metas, o cenário internacional ensaia um recuo. Países como Estados Unidos — sob ordens de Donald Trump — e Canadá determinaram o retorno obrigatório e massivo de seus servidores aos escritórios, evidenciando que o futuro do trabalho no setor público ainda é palco de intensos debates globais.

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