Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

Criado há 30 anos para reduzir o volume de veículos nos horários de pico, o rodízio municipal de São Paulo continua restringindo a circulação de parte da frota, mas opera hoje em uma cidade muito diferente daquela de 1996. A frota da capital chegou a cerca de 10 milhões de veículos, mais que o dobro do registrado quando a medida entrou em vigor.

Nesse período, também mudaram os hábitos de deslocamento. Aplicativos de transporte, motocicletas, trabalho remoto e novas tecnologias passaram a integrar a rotina de milhões de pessoas. O resultado é uma mobilidade mais diversificada, na qual a restrição determinada pelo final da placa passou a conviver com diferentes formas de circulação.

Motoristas também encontraram maneiras de adaptar seus deslocamentos. Parte passou a utilizar um segundo veículo com placa diferente, enquanto outros alteraram os horários das viagens, migraram para motos ou recorreram aos aplicativos. Em muitos casos, a viagem continuou ocorrendo, apenas com mudança de horário, veículo ou modalidade.

A eletrificação acrescentou uma nova variável ao debate. Carros elétricos e híbridos são isentos do rodízio como parte das políticas de incentivo a veículos menos poluentes. Segundo levantamento da Machine, com dados de 2024 a 2026, os eletrificados passaram de pouco mais de 2% para mais de 6% das frotas de aplicativos. Entre os veículos recém-incorporados pelos motoristas, a participação já supera 20%.

A expansão traz desafios para uma política baseada exclusivamente na placa. Elétricos, híbridos plug-in e híbridos leves, embora apresentem diferenças em emissões e funcionamento, estão sujeitos à mesma isenção.

A eletrificação também exige mudanças na operação dos aplicativos e no trabalho dos motoristas, com novos custos relacionados a manutenção, recarga e gestão de frota.

Aos 30 anos, o rodízio permanece como instrumento de controle do tráfego, mas sua trajetória evidencia uma questão maior: como adaptar uma política criada para uma cidade de 1996 à complexidade da mobilidade de 2026.

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