EUA
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Em meio à sequência de bravatas disparadas por Donald Trump sobre a guerra contra o Irã, o presidente americano agora acena com uma nova frente de pressão: uma “guerra econômica”. Em publicação na Truth Social, Trump prometeu promover a “operação econômica mais devastadora” já adotada contra um país e ameaçou punir governos e empresas que contribuam para manter a economia iraniana funcionando.

O problema é que, até agora, faltam detalhes sobre como a ofensiva será executada. Trump não explicou quais mecanismos pretende utilizar nem quais seriam as punições aplicadas aos países que continuarem negociando com Teerã. A promessa, portanto, levanta dúvidas tanto sobre sua efetividade quanto sobre suas consequências.

O Irã já convive há anos com um amplo regime de sanções americanas e, ainda assim, preservou uma rede significativa de parceiros comerciais. O petróleo é uma das principais razões para isso. Em 2022, segundo o Banco Mundial, o país exportou produtos para 147 nações. A China é seu principal parceiro comercial, enquanto Índia, Alemanha, Coreia do Sul e Japão também mantêm relações com os iranianos — incluindo países aliados de Washington.

Trump já havia anunciado, em janeiro, uma tarifa de 25% para países que fizessem negócios com o Irã. Agora, a ameaça de ampliar a pressão pode criar um dilema para esses parceiros: aderir ao isolamento pretendido pelos Estados Unidos ou preservar interesses comerciais próprios.

Para o Brasil, os efeitos diretos tendem a ser mais limitados, mas a relação comercial não é irrelevante. Em 2025, o país exportou US$ 2,9 bilhões ao Irã, sobretudo milho, soja e açúcar, e importou US$ 84,5 milhões, principalmente ureia, pistache e uvas secas.

Mais do que as consequências imediatas para Teerã, a nova ameaça de Trump recoloca uma questão central: até que ponto os Estados Unidos conseguem transformar sua influência econômica em instrumento de guerra sem provocar custos também para seus próprios parceiros?

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