Reprodução/YouTube/Itatiaia

Em sua primeira visita oficial a Minas Gerais como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP) concentrou críticas ao governador Romeu Zema (Novo) e reiterou o posicionamento do governo federal contra a privatização da Copasa. O ministro participa, nesta quarta-feira (5), em Belo Horizonte, do ato que marca os dez anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. O evento foi organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Durante entrevista à Rádio Itatiaia, Boulos classificou como “lamentável” a ausência de Zema nas homenagens às vítimas da tragédia. “Parece um governador turista, passa 15 dias na Europa, depois vai para a Ásia. É triste ver uma situação dessas diante de um acontecimento de impacto internacional”, criticou. Oficialmente, o governador estava no Rio de Janeiro, em reuniões políticas e empresariais.

Boulos também reforçou que, para o governo Lula, o rompimento da barragem não deve ser tratado como tragédia, mas como crime. “As vítimas merecem reparação. No que depender do presidente Lula, ainda que tardiamente, elas vão receber justiça”, afirmou. O desastre de Mariana, ocorrido em 2015, deixou 19 mortos e despejou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos no Rio Doce.

Além de se solidarizar com os atingidos, o ministro aproveitou a visita para comentar a votação decisiva, na Assembleia Legislativa de Minas, sobre a privatização da Copasa. Ele negou que o governo federal tenha exigido a venda da estatal como contrapartida no Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) e responsabilizou Zema pela decisão. “O governo Lula é contra a privatização do saneamento. Essa é uma escolha do governador, não uma exigência federal”, disse.

Boulos citou a privatização da Sabesp, em São Paulo, como exemplo de alerta. “Lá, piorou o serviço e aumentaram as contas. O setor privado visa lucro, e isso é perigoso quando se trata de um serviço essencial como a água”, afirmou. A Sabesp, contudo, contesta e diz ter reduzido tarifas após a desestatização.

A visita de Boulos a Minas reforçou tanto a agenda social do governo Lula, voltada à reparação das vítimas de Mariana, quanto o embate político com Zema, que tenta consolidar sua imagem nacional como pré-candidato à Presidência.

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