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O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A instituição, que integrava o conglomerado do Banco Master, vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária desde a liquidação do Master, ocorrida em 18 de novembro de 2025.

A decisão foi tomada após o colapso das negociações para venda do banco a um investidor de origem árabe. Segundo informações apuradas, a instituição havia sido mantida sob administração temporária justamente para viabilizar essa transação, que não se concretizou. O quadro se agravou quando a Mastercard informou, na segunda-feira (19), que o Will Bank não honrou os pagamentos devidos, levando à suspensão da aceitação dos cartões emitidos pela instituição.

Em nota oficial, o Banco Central justificou a medida pelo “comprometimento da situação econômico-financeira” da instituição e sua incapacidade de pagar dívidas, agravada pelo vínculo com o Banco Master, já liquidado. A liquidação extrajudicial representa o encerramento definitivo das atividades da empresa, responsável pela captação de recursos e concessão de crédito dentro do grupo.

O Will Bank surgiu em 2017 como pag!, emissor de cartões fundado por Felipe Felix e os irmãos Giovanni e Walter Piana. Em 2020, passou por reformulação e adotou a marca atual, consolidando-se como banco digital voltado à inclusão financeira de pessoas com pouco acesso ao sistema tradicional, especialmente clientes de renda média e baixa.

A instituição construiu forte presença no Nordeste, região que abrigava cerca de 60% de seus usuários, muitos em cidades pequenas. Ao longo dos anos, expandiu seu portfólio para incluir conta digital remunerada, Pix, empréstimos, antecipação do saque-aniversário do FGTS e marketplace com cashback.

Em 2021, recebeu aporte de R$ 250 milhões da XP e Atmos Capital, que ficaram com participação de 24,9%. Em 2024, houve reestruturação societária importante: o controle da Will Instituição de Pagamento foi transferido ao Grupo Reag, enquanto a Will Financeira passou ao Grupo Master, após aprovação do Cade e do Banco Central.

Apesar da crise, o banco havia apresentado melhora recente nos resultados, revertendo prejuízos e registrando lucro líquido de R$ 47,4 milhões no primeiro semestre de 2024.

A estratégia de marketing do Will Bank apostava em celebridades e influenciadores para ampliar visibilidade. Campanhas com Whindersson Nunes, Maísa, Pabllo Vittar, Simone, Thelminha e Vinícius Júnior buscavam alcançar o público jovem, especialmente no TikTok, usando linguagem simples e acessível.

Com a liquidação, caberá ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ressarcir os credores, com custo estimado em R$ 5 bilhões. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos, limitado a R$ 250 mil por credor.

O caso está ligado à Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que investiga Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank e apontado como sócio oculto de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O BC informou que continuará apurando responsabilidades, com possibilidade de sanções administrativas. Os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis.

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