seleção
Rafael Ribeiro/CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Carlo Ancelotti já têm um acordo verbal para a renovação do contrato do treinador à frente da Seleção Brasileira até a Copa do Mundo de 2030. A expectativa é que o novo vínculo seja assinado nas primeiras semanas de fevereiro, após o retorno do técnico ao Brasil.

Ancelotti chega ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira (23), depois de passar férias e festas de fim de ano fora do país. As conversas para a renovação começaram ainda em outubro e avançaram na reta final de 2025, com aval do treinador aos termos apresentados pela CBF. Com o acordo alinhado, a formalização depende apenas de ajustes burocráticos e jurídicos.

Contrato, salário e bônus

Hoje, Ancelotti já tem o maior salário entre técnicos de seleções no mundo. O contrato prevê cerca de 10 milhões de euros por ano, ou R$ 63 milhões, além de bônus por desempenho. Há, inclusive, uma cláusula específica que garante um prêmio extra de 5 milhões de euros em caso de conquista do hexa na Copa de 2026.

A renovação até 2030 deve manter valores semelhantes, com ajustes pontuais nas bonificações por títulos. Internamente, a leitura da CBF é que o investimento se justifica pela estabilidade e pelo perfil do treinador, conhecido por lidar bem com grandes elencos e ambientes de pressão.

Rotina dividida entre Canadá e Rio

A dinâmica de trabalho também pesa a favor da continuidade. Ancelotti divide seu tempo entre o Rio de Janeiro e o Canadá, onde vive parte de sua família, e avalia positivamente a flexibilidade do cargo. Aos 66 anos, o italiano não esconde o desejo de seguir no comando da Seleção, e as tratativas foram classificadas por dirigentes como “naturais e consensuais”.

A diretoria da CBF avalia que o treinador recolocou a Seleção “nos trilhos”, com um time competitivo e expectativas mais altas para a Copa de 2026. Um ponto considerado fundamental foi a sinalização de que a renovação não está atrelada ao resultado do Mundial, o que reforça a ideia de projeto de longo prazo.

Números e próximos jogos da Seleção

Desde que assumiu o comando da Seleção, no fim de maio de 2025, Ancelotti esteve à frente do time em oito partidas, com quatro vitórias, dois empates e duas derrotas, além de 14 gols marcados e cinco sofridos.

Antes da Copa, o Brasil ainda fará dois amistosos de peso: enfrenta a França, em Boston, no dia 26 de março, e a Croácia, em Orlando, no dia 31. A convocação final para o Mundial virá logo depois.

Na Copa de 2026, a Seleção está no Grupo C e estreia em 11 de junho, contra o Marrocos, em Nova Jersey. Depois encara o Haiti, na Filadélfia, e fecha a fase de grupos diante da Escócia, em Miami.

Dois Mundiais no horizonte

Com a renovação encaminhada, Ancelotti pode comandar o Brasil em duas Copas consecutivas: 2026 e 2030. O Mundial de 2030 terá jogos em Portugal, Espanha e Marrocos, além de partidas na Argentina, Uruguai e Paraguai, como parte das celebrações do centenário da competição.

Antes mesmo de oficializar a renovação, o treinador já brincava com o tema. Em novembro, antes de um amistoso, soltou a frase que virou bastidor: “Antes do Mundial, o contrato é mais barato. Depois pode ficar muito mais caro.” A CBF, pelo visto, resolveu não esperar.

Veja também