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O Brasil dificilmente repetirá, nos próximos anos, a mobilização que levou parte do país a pausar o Carnaval para acompanhar o Oscar. A avaliação é do produtor Rodrigo Teixeira, da RT Features, responsável por “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de melhor filme internacional em 2025. Para ele, o atual destaque do cinema brasileiro no cenário global é resultado de uma conjunção rara de talentos já consagrados, e não de um ciclo sustentável.

Durante debate na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, Teixeira afirmou não ver, no curto prazo, produções nacionais com força para retornar à principal premiação de Hollywood. Segundo ele, o bom momento recente se apoia em filmes de cineastas com reconhecimento internacional consolidado, como Walter Salles e Kleber Mendonça Filho, cujas trajetórias longas e premiadas os mantêm no radar dos grandes festivais.

Embora reconheça que esses títulos tenham aberto uma janela de interesse pela cultura brasileira, o produtor alerta que ela pode se fechar rapidamente. Na sua avaliação, o país tem hoje poucos filmes com reais chances de seleção em vitrines como Cannes ou Veneza, e a situação é ainda mais dura para realizadores fora desse circuito de prestígio.

Teixeira também cobra uma renovação geracional no cinema nacional. Para ele, falta um esforço estruturado de descoberta e formação de cineastas mais jovens, já que os nomes brasileiros premiados internacionalmente pertencem, em sua maioria, a gerações acima dos 40 anos.

O produtor lembra que o protagonismo brasileiro não é totalmente novo e cita o destaque do país em festivais internacionais em 2019, interrompido, segundo ele, pelo desmonte das políticas culturais no governo Jair Bolsonaro. Ainda assim, ressalta que os desafios permanecem, especialmente no campo da internacionalização.

Teixeira defende maior integração com a América Latina, que considera decisiva para a vitória de “Ainda Estou Aqui” no Oscar, e critica o isolamento do setor audiovisual brasileiro. Também pede união interna diante de disputas regulatórias, como a do streaming. “Se o audiovisual brasileiro se dividir, ele afunda”, resume.

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