
A participação de Bad Bunny no Super Bowl, no domingo (8), transformou-se em um dos episódios culturais e políticos mais comentados internacionalmente nas últimas 48 horas. Nesta segunda-feira (9), o artista apagou todas as publicações de seu perfil no Instagram, em meio à repercussão global da apresentação e às reações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de aliados do governo.
Veículos como The New York Times, The Washington Post, BBC, The Guardian, El País, Le Monde e redes latino-americanas como Univisión e Telemundo dedicaram cobertura específica ao episódio, destacando o impacto político das mensagens levadas ao maior evento televisivo do país. Em comum, as análises apontam que Bad Bunny rompeu uma fronteira rara no entretenimento americano: a de inserir, de forma explícita, a questão latina e migratória no centro simbólico do Super Bowl.
Embora não tenha sido o show do intervalo, a participação do artista ocorreu em quadros centrais da transmissão e foi acompanhada de mensagens visuais e textuais que afirmavam a presença histórica e estrutural de latinos e hispânicos nos Estados Unidos. Uma das frases exibidas durante a programação reforçava que essas comunidades não são estrangeiras ocasionais, mas parte constitutiva do país.
A repercussão foi imediata. Ainda no domingo (8), Donald Trump criticou publicamente a participação do cantor, classificando-a como “divisiva” e inadequada para um evento esportivo nacional. Parlamentares republicanos e aliados do governo ecoaram a crítica, acusando a NFL de permitir a politização do Super Bowl. O tema dominou debates em emissoras conservadoras como a Fox News e ocupou espaço nas redes sociais ao longo da noite.
Segundo o The New York Times, a reação do governo evidenciou o incômodo com o conteúdo político da mensagem, e não com a apresentação artística. O jornal observou que a afirmação de pertencimento latino atinge diretamente o discurso migratório adotado por Trump, que voltou a endurecer políticas e declarações contra imigrantes e comunidades hispânicas.
Na manhã de segunda-feira (9), Bad Bunny apagou todas as postagens de seu Instagram, sem divulgar nota ou explicação. A CNN norte-americana informou que a decisão ocorreu no auge da repercussão política e foi interpretada por analistas como uma escolha deliberada de não prolongar o confronto nas redes. O artista não respondeu às críticas do presidente nem às manifestações de aliados do governo.
A imprensa internacional destacou que o gesto reforçou o alcance simbólico da apresentação. Para o Guardian, o episódio mostra como a cultura pop se tornou um dos principais espaços de disputa política nos Estados Unidos contemporâneos. Já o El País avaliou que a presença de Bad Bunny no Super Bowl explicitou o desconforto de setores do poder americano diante do crescimento da influência cultural latina em espaços historicamente associados à identidade nacional branca.
Na América Latina, a apresentação foi tratada como marco político e cultural. Jornais do México, Argentina, Colômbia e Porto Rico destacaram a reação desproporcional do governo Trump como evidência do peso político da mensagem. Em Porto Rico, terra natal do artista, a participação foi descrita como afirmação de soberania cultural em um contexto de relação histórica desigual com os Estados Unidos.
O episódio ocorre em um momento de recrudescimento do discurso migratório do governo Trump e de centralidade do tema na agenda política americana. Nesse cenário, analistas ouvidos por veículos internacionais apontam que a apresentação de Bad Bunny funcionou como intervenção cultural de alto impacto, capaz de deslocar o debate público para além do campo musical.
Até o fechamento desta matéria, Bad Bunny não havia se manifestado sobre o apagamento de suas redes nem sobre as críticas do presidente. A NFL também não comentou oficialmente a repercussão política da apresentação.
A sequência de eventos entre o domingo (8) e a segunda-feira (9) consolidou a participação de Bad Bunny no Super Bowl como um acontecimento que ultrapassou o entretenimento, mobilizou governos, dividiu o debate público nos Estados Unidos e ganhou repercussão global.