Nikolas
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tem se posicionado publicamente contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) que prevê o fim da escala semanal 6×1. A proposta reorganiza a jornada para um modelo 4×3 — quatro dias de trabalho e três de descanso — como alternativa ao regime adotado amplamente no comércio e no setor de serviços.

Em vídeos publicados em suas redes sociais, Nikolas classificou a medida como “populista” e afirmou que ela pode gerar desemprego. Segundo o deputado, a proposta “parece boa no discurso, mas pode gerar efeito contrário na prática”, ao aumentar custos para empregadores e impactar postos de trabalho.

A PEC já foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, onde passa pela análise de admissibilidade. Após essa etapa, poderá seguir para comissão especial e, posteriormente, para votação em plenário.

Congresso não opera em 6×1

A crítica à reorganização da jornada ocorre em um contexto em que o próprio Congresso não funciona sob regime 6×1.

A escala criticada por Nikolas é comum em supermercados, farmácias, shoppings e empresas de atendimento, onde trabalhadores cumprem seis dias consecutivos antes de folgar. Já a rotina da Câmara é organizada em blocos concentrados de atividade.

Sessões deliberativas e reuniões de comissão ocorrem majoritariamente entre terça e quinta-feira. Sextas-feiras raramente registram votações presenciais. O calendário inclui recessos constitucionais, feriados e períodos sem convocação formal.

Em 2025, foram realizadas 127 sessões deliberativas com Ordem do Dia iniciada. Essas datas representam apenas uma fração do calendário anual. O funcionamento institucional não segue o modelo de seis dias consecutivos de trabalho aplicado a parte significativa da população economicamente ativa.

O contraste que estrutura o debate público não está na presença individual do deputado, mas na diferença entre o regime aplicado ao setor privado e a organização da jornada no próprio Legislativo.

Nikolas x disputa sobre jornada

Defensores da PEC argumentam que a mudança busca enfrentar jornadas consideradas exaustivas e melhorar a qualidade de vida de trabalhadores submetidos ao modelo 6×1. Pesquisas sobre tempo de trabalho associam longas sequências de dias sem descanso a maior risco de adoecimento e queda de produtividade.

Críticos, como Nikolas, sustentam que a redução obrigatória da jornada pode impactar a geração de empregos e elevar custos operacionais, especialmente em setores de baixa margem.

A discussão sobre a escala 6×1 tende a ganhar relevância no calendário político, sobretudo em ano pré-eleitoral, quando pautas relacionadas ao mundo do trabalho ocupam espaço central no debate público.

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