Agência Câmara

O debate sobre o fim da escala 6×1 deixou de ser apenas uma discussão trabalhista e passou a ocupar espaço central no cálculo eleitoral para 2026. Pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que, no Nordeste, 48% dos eleitores afirmam que as chances de votar em um deputado ou senador diminuiriam caso ele se posicionasse contra a proposta que garante duas folgas semanais sem redução salarial. O índice supera a média nacional, de 44%, e é o mais alto entre todas as regiões do país.

Na região, 35% dizem que as chances cairiam “muito” e 13%, “um pouco”. Outros 15% afirmam que a probabilidade de voto aumentaria se o parlamentar fosse contrário à medida, enquanto 28% dizem que o tema não influenciaria sua escolha. Para 10%, não houve resposta. Segundo Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, o dado indica que o tema já tem relevância eleitoral concreta no Nordeste, onde também se observa alto apoio à proposta.

Ao todo, 66% dos nordestinos se declaram favoráveis ao fim da escala 6×1 — percentual acima da média nacional (63%) e próximo ao registrado no Sudeste (67%). Apenas 20% se dizem contrários. Apesar do apoio expressivo, o nível de conhecimento aprofundado sobre o tema é baixo: apenas 7% afirmam entender muito das discussões. Outros 46% dizem compreender pouco, e 46% nunca ouviram falar da proposta.

O impacto político da pauta também varia conforme o comportamento eleitoral de 2022. Entre os eleitores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 51% afirmam que as chances de escolher um candidato diminuiriam se ele fosse contra a PEC — 37% muito e 14% um pouco. Já entre os eleitores de Jair Bolsonaro, o percentual é menor: 39% indicam redução nas chances de voto, enquanto 23% afirmam que aumentariam a probabilidade de escolher candidatos contrários ao projeto.

Entre os que não votaram em nenhum dos dois no segundo turno, 40% dizem que as chances diminuiriam, 31% que permaneceriam iguais e 16% que aumentariam. O levantamento mostra ainda que o apoio à proposta é maior entre eleitores de Lula (71%) do que entre os de Bolsonaro (53%).

Além de mais favoráveis, os eleitores do atual presidente também se mostram mais otimistas quanto à aprovação da PEC: 57% acreditam que o texto será aprovado no Congresso. Entre os bolsonaristas, o grupo se divide — 46% creem na aprovação, 45% não.

O estudo revela ainda que o grau de informação influencia a tolerância do eleitorado. Entre os que afirmam estar bem informados sobre o tema, 41% dizem que votariam “muito menos” em candidatos contrários ao fim da escala. Na população geral, esse índice é de 32%. Já entre os que nunca ouviram falar da proposta, cai para 26%.

Para Tokarski, a tendência é de aumento da pressão popular à medida que o debate se amplia. “O prejuízo eleitoral é maior entre os mais informados, o que sinaliza ao Congresso que o custo político de votar contra pode crescer conforme o tema se torna mais compreendido pela sociedade”, avalia.

Embora o eleitorado de Lula seja o mais engajado, a pesquisa indica que o apoio ao fim da escala 6×1 não está restrito a um campo ideológico específico. A crença na aprovação é majoritária em todos os grupos, inclusive entre eleitores de Bolsonaro e entre os que não escolheram nenhum dos dois candidatos em 2022.

Com índices elevados de apoio e potencial de impacto nas urnas, o tema se consolida como uma das pautas trabalhistas com maior capacidade de mobilização social no atual cenário político, especialmente em regiões onde o debate já assume contornos eleitorais mais intensos.

Veja também