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Os números falam por si. O cinema brasileiro vive seu melhor momento em décadas e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, se tornou o símbolo mais visível dessa virada. Com quatro indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Wagner Moura, o longa filmado no Recife coroou uma trajetória sustentada por política pública, investimento recorde e uma aposta deliberada na internacionalização da produção nacional.

Os resultados comerciais do filme são expressivos. Segundo dados da Ancine, “O Agente Secreto” superou 2,35 milhões de espectadores e arrecadou mais de R$ 50,3 milhões em renda — cifras que ajudaram a elevar o market share do cinema brasileiro ao patamar histórico de 10%. O projeto recebeu R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para produção e R$ 750 mil adicionais para comercialização, demonstrando o efeito multiplicador do fomento público sobre o retorno cultural e econômico.

O caso do filme não é isolado. Entre 2023 e 2025, o governo federal investiu mais de R$ 5,7 bilhões no setor audiovisual, somando recursos do FSA e de leis de incentivo. Só em 2025, foram R$ 1,41 bilhão — crescimento de 179% em relação a 2021 e o maior volume da série histórica. O FSA operou R$ 2 bilhões no ano, entre contratação de novas obras (R$ 564 milhões) e crédito para modernização de estúdios (R$ 411 milhões).

A descentralização da produção também avança em números concretos. Por meio dos Arranjos Regionais, R$ 662 milhões estão sendo mobilizados para fomentar o cinema em todas as regiões, com 70% dos recursos de novos editais destinados ao Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Em chamadas públicas recentes, 852 obras foram contempladas. Os editais agora incluem cotas obrigatórias: 50% para mulheres e 25% para pessoas negras, indígenas ou com deficiência.

Para fechar o ciclo, o Ministério da Cultura prepara para o primeiro semestre de 2026 o lançamento da Plataforma Tela Brasil, streaming público e gratuito com catálogo 100% nacional. A iniciativa pretende garantir que o volume crescente de produções brasileiras chegue a todos os públicos.

Do Recife ao Oscar, o trajeto de “O Agente Secreto” traça o mapa de uma indústria que aprendeu a escalar.

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