A primeira delação da farra do INSS é de empresário bolsonarista ligado à Covaxin, a vacina superfaturada

O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro do ano passado, é o primeiro nome envolvido no escândalo do INSS a fechar acordo de delação, confessando o esquema montado, durante o governo Bolsonaro, para desviar bilhões de reais dos aposentados. Camisotti é peça-chave na triangulação que se criou entre associações de fachada, servidores do INSS e lobistas, o tripé da fraude.

O mais novo delator da República também é o elo com outro escândalo do bolsonarismo durante a pandemia da Covid-19. Ele foi um dos intermediadores, trabalhando junto com a Precisa Medicamentos,  na tentativa da gestão Bolsonaro de comprar a vacina indiana Covaxin.

Relembrar é viver. A Covaxgate veio à tona em junho de 2021, quando a vacina contra o coronavírus ainda era um desejo para a maioria dos brasileiros. Na época, o governo negociou a compra de 20 milhões de doses do imunizante com superfaturamento que chegava a 1000%.

Documentos que chegaram à CPI da Pandemia mostraram que o valor contratado pelo governo Bolsonaro, de US$ 15 por vacina, era bem acima do preço inicialmente previsto pela empresa Bharat Biotech, de US$ 1,34 por dose. A Covaxin era concorrente internacional da vacina da Pfizer, aquela que Bolsonaro alertou, com muita sabedoria: “se tomar a vacina e virar jacaré, o problema é seu”. A Precisa Medicamentos atuava como representante dos indianos no Brasil. A compra não foi finalizada porque o escândalo estourou antes.

Aparentemente, os anos da pandemia e que coincidem com Bolsonaro no poder, foram de muito trabalho e relações suspeitas e fraudulentas para Camisotti. Segundo investigações do escândalo no INSS, o empresário controlava três entidades: a Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC), a União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (UNSBRAS) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (CEBAP), que tinham como diretores estatutários funcionários e parentes de executivos do grupo de empresas de Camisotti. Juntas, faturaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021.

Não por acaso,  o patrimônio de Camisotti, o nome que une os escândalos do INSS e da Covaxin, cresceu exponencialmente em poucos anos, com direito a mansões em São Paulo e condomínios de luxo no interior do estado, Lamborghini e Porsche na garagem e uma adega avaliada em alguns milhões de reais.

A delação do empresário foi assinado pela Polícia Federal e encaminhado para homologação do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, segundo informações do Estadão e do Metrópoles. Resta saber se a delação se restringe ao INSS ou se ele vai contar tudo o que realmente sabe, viveu e testemunhou na República do Jacaré.

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