
O presidente Donald Trump avança mais uma casinha para entrar para a História como o presidente mais fascista dos Estados Unidos. Depois de ampliar o terror aos imigrantes, sequestrar Nicolas Maduro, na Venezuela, e decretar guerra ao Irã, seu governo decidiu federalizar o uso do pelotão de fuzilamento para presos condenados à morte. A ideia trumpista é acelerar as execuções de pena capital e dar um recado de endurecimento no combate à violência, conforme comunicado do Departamento de Justiça norte-americano.
A decisão vai na contramão das principais democracias ocidentais, que vêm retirando a sentença de pena de morte de seus códigos penais, e aproxima os Estados Unidos da visão punitivista de regimes totalitários ou falsamente democráticos, como China, Irã, Arábia Saudita, Egito e Indonésia.
O Departamento de Justiça também reverteu a moratória estabelecida por Joe Biden em relação a nove condenações à pena de morte e retomou o uso da injeção letal como um dos métodos, como Trump já havia adotado em seu primeiro mandato.
Mais que o endurecimento em si no combate ao crime, com impacto real nas estatísticas de redução da violência, a adoção do pelotão de fuzilamento dá a Trump mais um elemento narrativo de poder e uso da força para fazer prevalecer suas práticas e visão de mundo. Mais uma vez, ele diz ao mundo que faz o que quer. O punitivismo, com traços fascistas bem concretos, também colabora para atender o anseio punitivista da base ideológica de seu eleitorado, em especial nos estados mais conservadores. Na prática, ele revigora e dá mais tração ao trumpismo em um país altamente polarizado na política e nos valores.
O pelotão de fuzilamento já é usado como método para pena de morte em alguns estados norte-americanos, como Carolina do Sul, Utah, Idaho, Mississippi e Oklahoma. Não por acaso, Donald Trump venceu Kamala Harris em todos eles nas eleições de 2024.
A mais recente execução por fuzilamento aconteceu na Carolina do Sul, em março do ano passado. Um dos estados, vale lembrar, mais racistas e conservadores nos Estados Unidos. Brad Sigmon, de 67 anos, foi condenado por sequestrar sua ex-namorada e espancar os pais dela até a morte em 2001. Este foi o quarto caso de uso do fuzilamento desde que a pena de morte foi restabelecida em 1976.
O sonho de Trump é que a pena de morte vire rotina por lá. Quanto mais fuzilamentos, melhor. Na conta dele, são mortes que valem votos. E fica a dúvida: qual será o próximo passo na construção de seu legado fascista?