Denúncias de prática de trabalho escravo e exploração de aposentados tornam Zema o vice ideal de Flávio Bolsonaro

Enfim, Flávio Bolsonaro achou o vice que se encaixa como luva em sua própria biografia. Romeu Zema, ex-governador de Minas e até agora também pré-candidato à Presidência, foi denunciado, nesta terça-feira, à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) por uma série de denúncias graves, segundo reportagem da Revista Fórum. As ações apresentadas pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) ligam Zema e empresas da sua família a suspeitas de irregularidades em contratos públicos da educação, exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão e práticas financeiras que podem afetar aposentados e pensionistas.

O arco de suspeitas é grande. As ações foram encaminhadas também a órgãos como Banco Central, INSS e Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ampliando o alcance das apurações e a possibilidade de responsabilização nas esferas civil, administrativa e criminal.

Depois de quase oito anos, Zema saiu do governo sem deixar o povo mineiro com saudades. E, agora, deve explicações à sociedade e aos principais órgãos de fiscalização, controle e Justiça. A imagem de gestor e de “renovação na política”, que já vinha ladeira abaixo, cai por completo.

Mas, curiosamente, isso o torna o vice ideal para a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Eles se completam. O filho 01 é acusado de práticas de rachadinhas, ligação com a milícia, enriquecimento ilícito depois da compra de mais de 50 imóveis, mas ainda não tem no currículo denúncia por prática de exploração de trabalho análogo à escravidão.

Como candidatos, juntos, eles terão muita o que conversar entre uma dancinha e outra. Especialmente, quando o assunto é suspeita de exploração de aposentados e pensionistas. Flávio Bolsonaro pode contar – e trocar figurinhas com Zema – sobre sua relação com Danilo Trento, investigado pela Polícia Federal no inquérito que apura o rombo do INSS. Segundo a PF, o empresário teria atuado em conjunto como o ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Virgílio Antônio de Oliveira Filho para desviar dinheiro das aposentadorias por meio de descontos irregulares nos benefícios.

Em 2021, Trento já havia sido indiciado pela CPI da Pandemia pelos crimes de fraude em contratos para compra de vacinas contra a Covid, formação de organização criminosa e improbidade administrativa.

Uma baita ficha corrida para um nome que pouca gente conhece, mas que talvez esteja salvo entre os contatos favoritos no WhatsApp de Flávio Bolsonaro. E já faz algum tempo. Em janeiro de 2020, o filho 01 e Danilo Trento foram a Las Vegas, nos Estados Unidos, em agenda para tratar da legalização dos jogos no Brasil. Como se vê, eles apostam alto.

Mas não só. Flávio Bolsonaro também intermediou agenda de empresa ligada a Trento e a Francisco Maximiano no BNDES. Para entender: Maximiano, conhecido como Max, é o dono da Precisa Medicamentos, aquela mesma que era a intermediária na compra da Covaxin, a vacina superfaturada na época da pandemia.

Uma coisa é certa. Quando o tema é relações suspeitas, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema terão muito tricô pra fazer.

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