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Lideranças do Centrão têm endurecido a resistência ao nome de Romeu Zema como vice na chapa de Flávio Bolsonaro. O principal argumento, de acordo com apuração da colunista do G1 Andréia Sadi, é o histórico de declarações do ex-governador de Minas Gerais sobre o Nordeste, avaliadas internamente como um “desgaste explosivo” em campanha; um material que o governo Lula tenderia a explorar com intensidade.

A declaração mais citada é de uma entrevista ao Estado de S. Paulo em 2023, quando Zema comparou o Brasil a um “produtor rural que começa só a dar um tratamento bom para as vaquinhas que produzem pouco”, em referência aos estados nordestinos. Para líderes do bloco, a fala foi “um desastre” e “uma chuva de preconceitos” do ponto de vista político. O Consórcio Nordeste reagiu afirmando que Zema demonstra “uma leitura preocupante do Brasil” e lembrou que Norte e Nordeste foram historicamente penalizados por políticas de desenvolvimento nacional.

O nome preferido do Centrão para a vice é o da ex-ministra Tereza Cristina. Apesar da resistência do bloco, Zema segue como o favorito do núcleo duro de Flávio Bolsonaro. No fim de semana, os dois apareceram juntos nas redes sociais em vídeo gravado em Porto Alegre, articulado pelo deputado Marcel van Hattem. Na gravação, Zema brinca ao convidar Flávio para ser seu vice, e o senador responde com ironia. O objetivo, nos bastidores, é sinalizar unidade da direita independentemente de como a chapa venha a ser formada.

Oficialmente, o Novo sustenta a pré-candidatura de Zema à presidência. Nos bastidores, porém, um convite formal de Flávio para compor a chapa seria tratado como irrecusável.

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