
A menos de dois meses do anúncio da lista definitiva da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026, o nome de Neymar domina o debate. Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (16) mostra que 53% dos brasileiros querem o atacante entre os 26 convocados — contra 34% que são contrários e 8% indiferentes. O levantamento, realizado entre os dias 7 e 9 de abril com 2.004 pessoas em 137 municípios, indica uma virada de opinião em relação a junho do ano passado, quando 48% eram favoráveis e 41% contrários à convocação.
O técnico Carlo Ancelotti, que deve divulgar a lista em 18 de maio, mantém a posição que já repetiu em diversas ocasiões: só embarcará para o torneio, sediado nos Estados Unidos, México e Canadá, quem estiver “100% fisicamente”. Em entrevista ao jornal francês L’Équipe, concedida em março, antes dos amistosos contra França e Croácia, Ancelotti foi cauteloso, mas não fechou as portas. “Ele está sendo avaliado pela CBF, por mim, e ainda tem dois meses para mostrar que tem qualidade para jogar a próxima Copa do Mundo”, disse o treinador italiano.
Para Ancelotti, Neymar “está no caminho certo”. O técnico elogiou a recuperação do atacante após a lesão no joelho e sinalizou que o vê em condições de disputar uma vaga. “Ele é capaz de voltar a estar a 100%. Depois da lesão no joelho, Neymar teve uma ótima recuperação, está marcando gols. Ele precisa continuar nessa direção”, afirmou. O treinador também indicou a posição em que utilizaria o jogador: mais centralizado, próximo ao gol adversário, como vem atuando no Santos.
Lula entra em campo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou no debate de forma inusitada. Em entrevista à TV 247 na última terça-feira (14), revelou ter sido consultado diretamente por Ancelotti sobre a situação do atacante. “O Ancelotti perguntou para mim: ‘Você acha que o Neymar deve ser convocado?’. E eu falei: se ele estiver fisicamente preparado, ele tem futebol”, contou. Lula, no entanto, colocou condições. “É preciso saber se ele quer. Se ele quiser, ele tem que ser profissional. Ele pode se espelhar no Cristiano Ronaldo, pode se espelhar no Lionel Messi. Mas ele não pode querer ir pelo nome, ele tem que querer ir pelo futebol”, disse o presidente.
O histórico recente de Neymar justifica tanto o otimismo quanto as reservas. Aos 34 anos, o atacante acumula uma sequência de lesões que o afastaram dos gramados por longos períodos. A mais grave ocorreu em outubro de 2023, quando rompeu o ligamento cruzado anterior e o menisco do joelho esquerdo enquanto defendia o Al Hilal, da Arábia Saudita. No clube saudita, jogou apenas sete partidas em mais de um ano, com um gol e duas assistências.
No início de 2025, retornou ao Santos com a promessa de recuperar a forma e reconquistar espaço na seleção. O primeiro ano ficou distante das expectativas: o clube escapou do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, com contribuição do próprio Neymar em momentos decisivos, mas também com atuações irregulares. Em 36 partidas pelo Santos — 28 em 2025 e oito em 2026 —, marcou 15 gols e deu sete assistências.
O próprio jogador reconheceu as mudanças. “Eu não vou ser o Neymar de dez anos atrás. Hoje, eu aprimorei o meu jogo de uma forma que, para mim, é o necessário”, disse em vídeo publicado nas redes sociais. No dia seguinte, teve desempenho fraco no clássico contra o Corinthians e, no dia subsequente, ficou fora da última convocação de Ancelotti antes da lista final.
O prazo para convencer o técnico se encerra em 18 de maio. Até lá, cada jogo de Neymar pelo Santos será observado com atenção redobrada — por Ancelotti, pela CBF e por mais da metade do país.