O “pimentaço” de Flávio Bolsonaro: o salário dele subiu 40% em quatro anos, mas ele quer congelar aposentadorias e BPC

Diz o ditado que “pimenta nos olhos do outro é refresco”. E ele explica muito o que está por trás do plano econômico de Flávio Bolsonaro, caso um novo desastre aconteça por aqui e ele se torne presidente da República. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele admitiu que pretende ressuscitar o jeito Paulo Guedes de cuidar da economia e vai congelar o valor de aposentadorias e do BPC, o Benefício de Prestação Continuada, pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, fazendo apenas a correção pela inflação. Na prática, cerca de 30 milhões de brasileiros, sem contar seus dependentes, passarão quatro anos sem ganho real de renda.

Essa é a pimenta dos bolsonaristas. Vale para o povo, mas não para eles. Como senador, Flávio Bolsonaro foi agraciado com aumento real de salário bem acima da inflação, além, claro, das outras benesses do cargo. Em quatro anos, o contracheque dos parlamentares subiu quase 40%, enquanto a inflação acumulada desde 2023 é de 19,5%.

O filho pretende fazer o que o pai já havia feito. No governo Bolsonaro, de 2019 a 2022, o salário mínimo não subiu um mísero real sequer acima da inflação. Vale lembrar as palavras do ministro Paulo Guedes, em plena pandemia, durante aquela reunião ministerial que só veio à público por ordem do STF: “e nessa confusão toda (…) nós já botamos a granada no bolso do inimigo: dois anos sem aumento de salário”.

O pacote de maldades de Flávio Bolsonaro não termina por aí. O plano também prevê o conceito de terra arrasada na saúde e na educação. Ele estuda desvincular os gastos mínimos previstos pela Constituição. Hoje, o governo é obrigado a aplicar 15% da receita corrente líquida em saúde e 18% da receita de impostos em educação. É muito dinheiro servindo o povo, pensa o senador e seus estrategistas econômicos.

O plano econômico de Flávio está sendo desenhado sob medida para agradar o mercado financeiro. Tudo em nome do aperto fiscal, desde que não mexa nos juros exorbitantes que a dívida pública paga aos banqueiros todos os anos. Ter a Faria Lima de olhos fechados ao seu lado durante a campanha é algo que o candidato bolsonarista quer a todo custo.

Não faz muito tempo, Flávio já havia indicado uma agenda econômica agressiva, dizendo que faria um “tesouraço” nas contas públicas. Agora, fica claro que o “tesouraço” é, na verdade, um “pimentaço” nos olhos de 30 milhões de pessoas que vivem só da aposentadoria ou do benefício social.

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