Master
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A Polícia Federal quer ouvir o jornalista e influenciador Léo Dias no inquérito que apura a atuação de criadores de conteúdo digital no chamado caso Master. A investigação busca esclarecer se o banco Master financiou a disseminação de conteúdos nas redes sociais com críticas ao Banco Central do Brasil após a liquidação da instituição financeira.

O depoimento estava inicialmente previsto para quinta-feira (30), mas foi adiado após a defesa de Léo Dias informar que ainda não teve acesso aos autos do processo. A Polícia Federal deve definir uma nova data para a oitiva nos próximos dias, dentro do avanço da investigação.

Investigação mira financiamento de conteúdo digital

O inquérito aberto pela Polícia Federal tem como foco principal a suspeita de que o banco Master tenha utilizado recursos financeiros para impulsionar conteúdos nas redes sociais, com o objetivo de atacar ou deslegitimar a atuação do Banco Central na decisão de liquidar a instituição.

A apuração busca identificar se influenciadores foram pagos para divulgar conteúdos com críticas ao BC ou para distorcer informações relacionadas ao processo de liquidação. A investigação também analisa se houve estratégia coordenada de comunicação digital para influenciar a opinião pública em um momento de alta exposição do caso.

Esse tipo de atuação, caso comprovado, pode indicar o uso estruturado de redes sociais como ferramenta de pressão em disputas envolvendo instituições financeiras e órgãos reguladores.

Conexões empresariais de Leo entram no radar

A convocação de Léo Dias está diretamente ligada à análise de vínculos empresariais identificados pelos investigadores. A Polícia Federal investiga a atuação de Thiago Miranda, empresário ligado à Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi, apontado como possível articulador na contratação de influenciadores.

Dados da Receita Federal indicam que Miranda possui relação com empresas vinculadas ao grupo de Léo Dias. Ele aparece como sócio-administrador tanto da Miranda Comunicação quanto de empresas ligadas ao influenciador, o que levantou suspeitas sobre a conexão entre estruturas empresariais e a produção de conteúdo digital.

Outro elemento analisado é a coincidência de registros, como o uso de um mesmo número de telefone em diferentes CNPJs ligados às empresas, o que reforça a hipótese de proximidade operacional entre os envolvidos.

A assessoria do grupo informou que Thiago Miranda segue como sócio e que o empresário Daniel Vorcaro, dono do banco Master, atua como investidor no negócio.

Caso Master e repercussão nas redes

O caso Master ganhou dimensão nacional após a liquidação do banco, controlado por Daniel Vorcaro, e passou a gerar forte reação nas redes sociais. A atuação digital em defesa da instituição e contra o Banco Central chamou a atenção das autoridades e motivou a abertura dessa linha específica de investigação.

A Polícia Federal busca entender como se deu a construção dessa repercussão e se houve uso de recursos financeiros para amplificar determinadas narrativas. A análise inclui conteúdos publicados, alcance, engajamento e possíveis padrões de disseminação.

A hipótese central é que a estratégia digital tenha sido utilizada para influenciar a percepção pública sobre o caso e pressionar instituições envolvidas no processo.

Ampliação do foco investigativo

A inclusão de influenciadores no inquérito indica uma ampliação do escopo da investigação, que passa a considerar não apenas os fatos relacionados à liquidação do banco, mas também a forma como o episódio foi trabalhado no ambiente digital.

Esse movimento reflete uma preocupação crescente com o uso de redes sociais em disputas institucionais e financeiras, especialmente quando há suspeita de financiamento para produção e disseminação de conteúdo.

A Polícia Federal não descarta convocar outros influenciadores ou responsáveis por empresas de comunicação, à medida que novas informações forem identificadas ao longo da apuração.

A oitiva de Léo Dias deve ajudar a esclarecer se houve relação direta entre o banco Master e o grupo de comunicação ligado ao influenciador, além de indicar se recursos foram utilizados para financiar conteúdos nas redes sociais.

A investigação segue em andamento e se concentra na identificação de fluxos financeiros, contratos e eventuais estratégias de comunicação digital adotadas após a liquidação do banco. O caso pode abrir precedentes para novas frentes de apuração envolvendo o uso de influenciadores em disputas que envolvem instituições públicas e o sistema financeiro.

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