Tarcísio
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a ser alvo de uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) por possível prática de propaganda eleitoral antecipada durante a abertura da Agrishow 2026, realizada no domingo (27), em Ribeirão Preto, interior paulista.

A ação foi protocolada pelo deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que sustenta que o evento, embora institucional, foi utilizado para promover politicamente o nome de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República.

O foco da representação está no conteúdo das falas feitas durante a cerimônia. Segundo o documento, o governador teria apresentado o senador ao público com expressões que extrapolam o caráter institucional do encontro, ao vinculá-lo diretamente a uma futura disputa presidencial.

Além disso, o senador também fez declarações que, na avaliação do autor da ação, indicam tentativa de influenciar o eleitorado antes do início oficial da campanha. O argumento é que, mesmo sem pedido explícito de voto, o conjunto das falas constrói uma narrativa eleitoral antecipada.

Ao justificar a denúncia, Zarattini afirmou: “Acionei a PGR contra Tarcísio e Flávio Bolsonaro por propaganda eleitoral antecipada na Agrishow. Usaram espaço oficial do Governo de São Paulo, com identidade visual do Estado e transmissão institucional, para fazer pré-campanha. Inclusive, Tarcísio chamou Flávio de ‘nosso próximo presidente da República’. A lei precisa ser cumprida.”

Estrutura pública pró-Tarcísio e visibilidade ampliada

Um dos principais pontos da representação é o uso de elementos institucionais do governo de São Paulo durante o evento. A presença de palco oficial, identidade visual do Estado e transmissão por canais públicos é apontada como fator que amplia o alcance político das declarações.

Para o autor da ação, essa combinação caracteriza uso indevido da máquina pública, uma vez que recursos estatais não podem ser utilizados para favorecer candidaturas. A interpretação é que o ambiente institucional deu legitimidade e visibilidade a um discurso de natureza eleitoral.

A legislação eleitoral brasileira permite manifestações políticas no período de pré-campanha, mas estabelece limites. Não é permitido, por exemplo, o uso de estruturas públicas para promover candidaturas nem a realização de propaganda eleitoral antes do período oficial, que começa em 16 de agosto do ano da eleição.

O caso também envolve a discussão sobre o chamado abuso de poder político, que ocorre quando agentes públicos utilizam o cargo ou a estrutura do Estado para influenciar o processo eleitoral. A caracterização desse tipo de conduta depende da análise do contexto, do conteúdo das falas e do alcance das ações.

Na representação, Zarattini solicita que a PGR avalie a abertura de investigação e determine a preservação de registros do evento, incluindo vídeos e transmissões institucionais. O objetivo é reunir elementos que permitam verificar se houve irregularidade.

Caso a apuração avance e identifique infrações, o caso pode ser encaminhado à Justiça Eleitoral. As sanções previstas vão desde multa até medidas mais graves, dependendo da evolução do processo e do eventual registro de candidaturas.

A Agrishow é considerada uma das principais vitrines do agronegócio brasileiro e reúne autoridades, empresários e lideranças políticas, o que amplia o peso de manifestações feitas no evento. Em períodos pré-eleitorais, esse tipo de exposição costuma ser acompanhado com maior atenção por órgãos de controle.

A fala de Tarcísio é interpretada como sinalização política dentro do campo bolsonarista, em um momento em que diferentes nomes são cogitados para a disputa presidencial de 2026. Esse tipo de movimentação, quando associado a estruturas institucionais, tende a gerar questionamentos jurídicos.

Próximos passos

A Procuradoria-Geral da República deverá analisar a representação nos próximos dias. A partir dessa avaliação, o órgão pode arquivar o caso ou dar andamento à investigação, com eventual encaminhamento à Justiça Eleitoral.

O desfecho dependerá da interpretação sobre os limites entre manifestação política e uso indevido da estrutura pública. O episódio antecipa disputas jurídicas que devem se intensificar à medida que o calendário eleitoral avança.

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