Epstein
Justiça dos EUA

A Justiça dos Estados Unidos divulgou na última quarta-feira (6) uma suposta carta de suicídio atribuída ao empresário Jeffrey Epstein, encontrado morto em agosto de 2019 dentro de uma prisão federal em Manhattan enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores. A publicação do documento, revelada inicialmente pela Reuters e confirmada por veículos como Washington Post, NBC News e The Guardian, reacendeu controvérsias sobre um dos casos mais sensíveis e cercados de teorias da conspiração da história recente americana.

O documento foi tornado público por decisão do juiz federal Kenneth Karas, da corte de White Plains, em Nova York, após pedido apresentado pelo jornal The New York Times. A carta estava anexada a um processo envolvendo Nicholas Tartaglione, ex-policial e antigo companheiro de cela de Epstein no Metropolitan Correctional Center (MCC), prisão federal onde o empresário morreu.

Tartaglione cumpre atualmente quatro penas de prisão perpétua por assassinatos ligados ao tráfico de drogas e aparece como figura relevante nos acontecimentos que antecederam a morte de Epstein. Em julho de 2019, semanas antes de morrer, o empresário foi encontrado ferido na cela após um episódio inicialmente tratado pelas autoridades como tentativa de suicídio. Na época, Epstein acusou Tartaglione de agressão física, enquanto o ex-policial negou qualquer ataque.

Documento traz tom de despedida

Segundo trechos divulgados pela Reuters e reproduzidos pela imprensa americana, a carta apresenta frases interpretadas como despedida e reflexões sobre o controle da própria morte. Em uma das passagens mais citadas, o texto afirma: “É um prazer poder escolher a hora de dizer adeus”.

O documento também contém manifestações de revolta contra o sistema de justiça americano e as investigações conduzidas contra o empresário. Em outro trecho reproduzido pela imprensa internacional, a carta afirma: “Eles me investigaram por meses e não encontraram nada”.

O documento também teria sido escrito após a primeira tentativa de suicídio registrada oficialmente dentro da prisão federal, poucas semanas antes da morte definitiva de Epstein. A autenticidade da carta, no entanto, ainda não foi oficialmente confirmada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Apesar disso, o material já é tratado como uma das evidências mais relevantes divulgadas publicamente sobre os últimos dias do empresário na prisão.

Caso Epstein continua cercado por dúvidas e teorias

Jeffrey Epstein morreu em 10 de agosto de 2019 enquanto aguardava julgamento federal por acusações de exploração sexual e tráfico sexual de adolescentes. O empresário era acusado de manter uma rede de abuso envolvendo meninas menores de idade e pessoas influentes da política, do empresariado e do entretenimento internacional.

Sua morte foi oficialmente classificada como suicídio por enforcamento pelo sistema médico de Nova York. Ainda assim, o caso rapidamente se transformou em alvo de questionamentos públicos e teorias conspiratórias devido à sucessão de falhas registradas dentro do presídio federal.

Investigações posteriores apontaram que câmeras de segurança próximas à cela apresentavam falhas, agentes penitenciários responsáveis pela vigilância estavam dormindo ou navegando na internet durante o plantão e registros de monitoramento tinham inconsistências importantes.

As revelações provocaram forte desgaste institucional para o sistema prisional americano e alimentaram suspeitas de encobrimento, sobretudo por causa das conexões de Epstein com empresários bilionários, políticos, celebridades e integrantes da elite internacional.

Escândalo atingiu nomes influentes

Ao longo das investigações, vieram à tona registros de voos, encontros privados e relações sociais envolvendo Epstein e figuras influentes dos Estados Unidos e de outros países. Entre os nomes frequentemente associados ao caso estiveram o presidente dos EUA, Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump, o príncipe Andrew, da família real britânica, além de empresários, investidores e ex-presidentes americanos.

Embora parte dessas conexões nunca tenha resultado em acusações criminais, o caso passou a simbolizar, para setores da opinião pública americana, a relação entre poder econômico, influência política e impunidade.

Nos últimos anos, cortes americanas vêm liberando gradualmente milhares de páginas de documentos ligados ao chamado “Epstein Files”, conjunto de registros judiciais, depoimentos e provas relacionadas às investigações sobre o empresário.

A divulgação da suposta carta agora adiciona um novo capítulo ao caso e volta a colocar pressão sobre autoridades americanas para ampliar a transparência sobre as circunstâncias da morte de Epstein e os desdobramentos das investigações relacionadas à rede de exploração sexual da qual ele era acusado.

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