
O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) trabalha para ampliar os recursos e preservar taxas de juros reduzidas no Plano Safra da agricultura familiar 2026/27, que começa em 1.º de julho. A estratégia do governo é aproveitar o cenário de queda da taxa Selic para lançar um programa mais robusto de crédito rural voltado aos pequenos produtores.
“A nossa meta é fazer o maior e melhor Plano Safra da história da agricultura familiar”, afirmou a ministra Fernanda Machiaveli em entrevista ao Estadão/Broadcast. Na safra atual 2025/26, o governo disponibilizou R$ 78,2 bilhões em financiamentos para o setor, com juros variando entre 0,5% e 6% ao ano.
Segundo a ministra, a redução da Selic — de 15% para 14,5% em um ano — abre espaço para ampliar os volumes de financiamento mantendo taxas consideradas negativas em termos reais. O MDA prepara as propostas das novas linhas de crédito para negociação junto ao Ministério da Fazenda e à equipe econômica.
Entre as prioridades da próxima edição do Plano Safra estão medidas voltadas às mulheres rurais. O governo pretende ampliar linhas de crédito facilitadas e assistência técnica específica para produtoras, em meio ao Ano da Mulher Agricultora, promovido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Dados do ministério apontam que as mulheres já representam 55% das operações de microcrédito rural.
O governo também pretende reforçar programas de mecanização e modernização tecnológica, como o Programa Mais Alimentos, voltado à compra de máquinas e equipamentos agrícolas de menor porte. Retomado em 2023, o programa é apontado pelo governo como um dos motores das vendas da indústria nacional de máquinas agrícolas.
No atual Plano Safra, os financiamentos do Mais Alimentos contam com juros entre 2,5% e 5% ao ano. Até abril, foram desembolsados R$ 16,6 bilhões. O MDA quer preservar essas condições mesmo diante das dificuldades fiscais.
Outra frente prioritária é a renegociação de dívidas rurais. A expectativa do governo é reabilitar até 300 mil agricultores familiares para acesso ao crédito até o início da próxima safra, incluindo produtores inadimplentes e agricultores com dificuldades financeiras.
Dados do Banco Central mostram que, entre julho e abril da safra atual, o Pronaf registrou 1,649 milhão de contratos, somando R$ 56,1 bilhões em desembolsos, alta de 3,5% em relação ao ciclo anterior.