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A estreia do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas ruas, com um ato para cerca de nove mil pessoas em Copacabana, provocou uma avaliação crítica dentro do próprio partido sobre o formato escolhido para as próximas mobilizações da campanha presidencial. Os dados são do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap.

A comparação com manifestações anteriores no mesmo local pesou na análise interna. Em setembro de 2022, durante a campanha à reeleição, Jair Bolsonaro levou cerca de 64 mil pessoas à Avenida Atlântica. Dois anos depois, um ato pró-anistia liderado pelo ex-presidente reuniu 32 mil apoiadores no mesmo trecho da orla.

Sem a presença de nomes com forte capacidade de mobilização — como Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia — e com Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, Flávio ocupou o mesmo palco das manifestações do pai e deixou, na avaliação de integrantes do PL, uma imagem de esvaziamento que poderia ter sido evitada. A principal crítica é que a organização poderia ter reduzido a área reservada na praia, concentrando o público e evitando espaços vazios nas imagens.

Aliados contrapõem o resultado nas ruas ao desempenho digital: a transmissão do evento teria atingido cerca de 35 mil espectadores simultâneos, número usado internamente para relativizar a comparação com os atos anteriores.

Entre os fatores citados para explicar o público reduzido estão o curto prazo de divulgação, o evento foi anunciado apenas três dias antes, e a dinâmica do primeiro dia oficial de campanha, quando parlamentares aliados de fora do Rio de Janeiro estavam concentrados em suas próprias agendas eleitorais nos estados de origem.

Malafaia, que organizou atos anteriores de Bolsonaro, optou por não comparecer por considerar o evento um compromisso estritamente eleitoral, mas enviou mensagem de apoio ao candidato.

O episódio abriu um debate interno no PL sobre o modelo a ser adotado nos próximos eventos da campanha, com defensores de que as futuras mobilizações sejam dimensionadas conforme a capacidade real de convocação de Flávio, sem repetir automaticamente a escala dos atos protagonizados por seu pai.

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