
Um novo padrão começa a se consolidar entre bilionários ligados às maiores empresas de tecnologia: a busca por ativos físicos, escassos e profundamente enraizados na cultura — aquilo que a inteligência artificial jamais poderá reproduzir. A tendência ganhou força nas últimas semanas, com a entrada de Jeff Bezos e Eduardo Saverin no futebol europeu. O consórcio liderado por Amit Bhatia, que inclui o fundador da Amazon e o cofundador do Facebook, fechou a compra de uma participação minoritária no Liverpool, avaliado em cerca de US$ 6 bilhões. É a primeira incursão de Bezos no esporte.
O movimento não é isolado. Bob Iger, ex-CEO da Disney, e Josh Kushner adquiriram o Los Angeles Lakers dias antes. A leitura no mercado é clara: conforme a IA barateia e comoditiza setores digitais, de software à produção criativa, cresce o valor de tudo que não pode ser replicado por algoritmos. Esporte, terra, vinhedos, casas de show, energia e até gado entram na lista de “ativos à prova de IA”.
A lista de bilionários migrando para esse tipo de investimento é extensa. Reed Hastings, da Netflix, comprou uma montanha de esqui em Utah por US$ 100 milhões. David Drummond, ex-Google, adquiriu vinícolas e um vinhedo de 550 acres. Ari Emanuel comprou a ATG Entertainment, dona de 70 casas de shows no Reino Unido, por £ 4,5 bilhões. Alex Karp, da Palantir, levou um rancho de 3.700 acres em Aspen. Mark Zuckerberg investe em criação de gado no Havaí. Peter Thiel comprou participação em uma produtora de gás na Argentina.
A ironia não passa despercebida: os mesmos nomes que impulsionaram a revolução da IA agora constroem seus próprios “hedges” contra ela. Para investidores atentos, o recado é evidente: o futuro pode ser digital, mas o valor duradouro continua profundamente físico.