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Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Brasil registrou, no trimestre encerrado em fevereiro, o maior nível de trabalhadores contribuindo para a Previdência Social desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 66,8% da população ocupada está vinculada a algum regime previdenciário, o que corresponde a 68,2 milhões de pessoas.

O avanço ocorre em um contexto de recomposição do mercado de trabalho, com aumento da formalização e expansão da base de contribuintes. Embora o número absoluto de trabalhadores cobertos tenha sido ligeiramente maior no fim de 2025, quando chegou a cerca de 68,4 milhões, a proporção atual é a mais alta já registrada, indicando uma maior participação relativa da Previdência entre os ocupados.

Formalização e renda sustentam crescimento

O crescimento da cobertura previdenciária está diretamente associado ao desempenho recente do mercado de trabalho formal. Dados do próprio levantamento apontam que o país mantém um contingente elevado de trabalhadores com carteira assinada, além de registrar aumento na renda média, que alcançou R$ 3.679, o maior valor da série histórica.

Esse movimento contribui para ampliar a arrecadação do sistema previdenciário e fortalecer a base de financiamento da seguridade social. Mesmo trabalhadores sem vínculo formal, como autônomos, também entram na estatística ao contribuírem individualmente para o INSS, o que ajuda a explicar por que o número total de contribuintes supera o de empregos formais.

Na prática, a contribuição garante acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte, ampliando a rede de proteção social e reduzindo a vulnerabilidade de trabalhadores diante de riscos como doença, invalidez ou perda de renda.

Pressão demográfica e sustentabilidade do sistema

O aumento da base de contribuintes é considerado um fator relevante para o equilíbrio da Previdência em um cenário de envelhecimento da população. Como o modelo brasileiro é baseado no regime de repartição, no qual os trabalhadores ativos financiam os benefícios dos aposentados, a ampliação do número de contribuintes tende a aliviar pressões fiscais no médio e longo prazo.

Especialistas apontam, no entanto, que a sustentabilidade do sistema depende da continuidade da geração de empregos formais e do crescimento econômico. A tendência de envelhecimento populacional, combinada à elevação da expectativa de vida, impõe desafios estruturais ao sistema previdenciário, exigindo uma base cada vez mais ampla de contribuintes para manter o equilíbrio entre arrecadação e pagamento de benefícios.

O dado recorde sinaliza uma melhora conjuntural relevante, mas também evidencia a centralidade do mercado de trabalho formal na sustentação do sistema previdenciário. Em um cenário de transição demográfica, a ampliação da cobertura se consolida como um dos principais indicadores da capacidade do país de manter e financiar sua rede de proteção social nos próximos anos.

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