Reprodução/TV Globo

A polarização política segue como um dos principais elementos da vida pública brasileira, mas seu impacto já ultrapassa o debate eleitoral e chega ao cotidiano da população. Pesquisa da Nexus revela que 65% dos brasileiros reconhecem a existência de uma divisão política intensa, enquanto 36% afirmam sentir cansaço ou desconforto diante desse cenário. Apenas 17% dizem estar confortáveis com a disputa permanente entre os dois principais campos.

O levantamento mostra equilíbrio entre os polos: em uma escala de 0 a 10, o sentimento anti-Lula registra média de 5,5, e o anti-Bolsonaro, de 5,1. A concentração nos extremos é expressiva — 38% deram nota 10 para o antilulismo, e 30% atribuíram nota 0. No antibolsonarismo, 33% marcaram 10, e outros 33% ficaram no zero.

A partir das respostas, a Nexus identificou seis grupos de eleitores. Os bolsonaristas convictos representam 27%, enquanto os lulistas convictos somam 23%. Outros 23% não se engajam com nenhum dos dois sentimentos. Há ainda 8% que veem Bolsonaro como alternativa, 8% que rejeitam simultaneamente Lula e Bolsonaro e 6% que consideram Lula uma opção.

As diferenças aparecem também por perfil social. Evangélicos concentram 35% de bolsonaristas convictos, enquanto pessoas sem religião têm 36% de lulistas convictos. Entre quem possui ensino superior, 29% são lulistas convictos; já o maior índice de bolsonaristas convictos (31%) está entre quem tem ensino médio. No recorte de renda, quem ganha mais de cinco salários mínimos tende mais ao bolsonarismo, enquanto os que recebem até um salário mínimo apresentam maior proporção de não polarizados.

O estudo indica ainda que o desgaste com a polarização é maior entre eleitores que não aderem totalmente a um dos polos: 59% dos que veem Lula como alternativa e 51% dos que consideram Bolsonaro uma opção relatam desconforto. Mesmo entre os convictos, a percepção de divisão permanece elevada, sugerindo que, embora a polarização siga estruturando a política nacional, cresce a fadiga com o conflito contínuo.

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