Lula
Ricardo Stuckert/PR

A primeira pesquisa Datafolha realizada integralmente após a explosão do caso “Dark Horse” mostrou avanço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026. Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (22), Lula ampliou de 3 para 9 pontos sua vantagem sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro no primeiro turno e passou a liderar também no cenário de segundo turno.

Na simulação de primeiro turno, Lula aparece agora com 40% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Antes da crise, a diferença entre os dois era de apenas três pontos percentuais. Já em eventual segundo turno, o petista passou a vencer o senador por 47% a 43%, revertendo o empate registrado na pesquisa anterior do próprio instituto divulgada no dia 16 de maio.

Segundo a Reuters, o levantamento mostra um impacto direto das revelações envolvendo o filme “Dark Horse”, produção inspirada em Jair Bolsonaro e ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo do Banco Master.

Caso Vorcaro passa a produzir efeito eleitoral

A nova pesquisa é a primeira do Datafolha feita totalmente após a divulgação das reportagens do Intercept Brasil envolvendo contratos, áudios e negociações financeiras relacionadas ao filme “Dark Horse”.

Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro passou a enfrentar desgaste crescente após admitir ter mantido contato com Daniel Vorcaro mesmo depois da prisão do banqueiro pela Polícia Federal. O senador também foi alvo de críticas após sucessivas mudanças de versão sobre sua relação com o empresário.

O caso envolve um projeto cinematográfico estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões, cerca de R$ 140 milhões na cotação atual, além de investigações sobre fundos nos Estados Unidos, recursos privados e possíveis conexões políticas do núcleo bolsonarista.

Segundo a Reuters, o Datafolha confirma tendência já apontada anteriormente por pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta semana, na qual Lula aparecia com 48,9% contra 41,8% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno.

Michelle aparece como alternativa competitiva

A pesquisa divulgada pela Folha também mostra que Michelle Bolsonaro mantém desempenho semelhante ao de Flávio Bolsonaro em cenários de segundo turno, reforçando discussões internas da direita sobre possíveis alternativas ao senador caso o desgaste continue aumentando.

Nos bastidores do campo conservador, lideranças políticas e empresariais passaram a demonstrar preocupação crescente com os impactos eleitorais do caso Vorcaro. Nos últimos dias, nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e a própria Michelle Bolsonaro voltaram a circular como possíveis alternativas dentro da direita.

O ex-governador Romeu Zema chegou a classificar publicamente a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro como “imperdoável” e afirmou que o episódio representa “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.

Direita enfrenta novo cenário de fragmentação

A pesquisa reforça também um cenário de fragmentação dentro da oposição ao governo Lula. Reportagens recentes da Reuters apontam que a candidatura de Flávio Bolsonaro nunca conseguiu unificar totalmente a direita brasileira, apesar do apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Antes do escândalo “Dark Horse”, Flávio vinha apresentando crescimento consistente nas pesquisas e chegou a empatar tecnicamente com Lula em levantamentos divulgados em março e maio.

Agora, porém, aliados do governo Lula avaliam que a sucessão de revelações envolvendo Daniel Vorcaro interrompeu a trajetória de crescimento do senador e ampliou sua rejeição em setores moderados do eleitorado.

A Folha também informou que o Datafolha investigou rejeição dos candidatos e percepção do eleitorado sobre atributos como experiência, modernidade e capacidade de governar. Em pesquisa divulgada antes da crise, Lula aparecia como o candidato mais experiente, enquanto Flávio era visto como mais “moderno e inovador”.

Escândalo se torna centro da disputa eleitoral

Nos bastidores políticos, o caso “Dark Horse” já é tratado como um dos episódios de maior impacto eleitoral do início da corrida presidencial de 2026.

As revelações envolvendo áudios de Mario Frias, encontros de Flávio Bolsonaro com Vorcaro após a prisão do banqueiro e investigações sobre recursos ligados ao filme passaram a dominar parte do debate político nacional nas últimas semanas.

Ao mesmo tempo, STF e Polícia Federal ampliaram apurações envolvendo fluxo financeiro internacional, fundos ligados a aliados de Eduardo Bolsonaro e possíveis conexões entre estruturas privadas e o núcleo bolsonarista.

Com a nova pesquisa Datafolha, aliados e adversários passaram a tratar o escândalo não apenas como uma crise de imagem, mas como um fator com impacto concreto sobre a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro em 2026.

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