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A primeira rodada de debates para os governos estaduais, promovida pela Band no domingo (9), deu uma amostra das principais linhas que devem marcar a eleição de 2026. Segurança pública apareceu como preocupação transversal, enquanto corrupção, saúde, educação e desenvolvimento econômico dividiram espaço com um componente cada vez mais difícil de separar da política estadual: a disputa nacional entre lulismo e bolsonarismo.

O balanço inicial também traz um problema para o eleitor: a ausência de candidatos que lideram as pesquisas. Sérgio Moro, no Paraná, Eduardo Paes, no Rio, Daniel Vilela, em Goiás, e Eduardo Braide, no Maranhão, decidiram não participar. A estratégia pode evitar confrontos indesejados, mas também reduz a capacidade do eleitor de comparar propostas e cobrar respostas diretamente de quem pretende governar.

Ceará: passado político e segurança no centro

No Ceará, o confronto entre Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB) teve uma característica particular: dois políticos experientes disputando não apenas propostas, mas também a interpretação sobre o momento vivido pelo estado. Elmano, candidato à reeleição, apresentou sua administração como responsável por um período de avanços, enquanto Ciro adotou uma avaliação mais pessimista, elegendo segurança, saúde, desenvolvimento socioeconômico e corrupção como os principais problemas locais.

A segurança pública foi um dos principais pontos de convergência quanto à gravidade e de divergência sobre as soluções. O avanço das facções criminosas colocou o tema no centro do confronto, ao lado de educação, saúde, infraestrutura, moradia, turismo e geração de empregos.

Mas a disputa cearense também evidenciou o peso das alianças nacionais. Elmano assumiu abertamente sua proximidade com Lula e tentou associar Ciro ao campo bolsonarista em razão do apoio recebido do diretório estadual do PL. Ciro, por sua vez, procurou preservar uma imagem de independência e apresentou-se como alternativa à polarização.

O resultado foi um debate em que a política nacional serviu como instrumento para disputar a identidade dos candidatos; às vezes em detrimento de uma discussão mais aprofundada sobre políticas públicas.

Rio: a segurança como diagnóstico de uma crise política

No Rio de Janeiro, a ausência de Eduardo Paes deixou espaço para que os demais candidatos transformassem segurança e alianças políticas no eixo central do debate. Douglas Ruas (PL), André Marinho (Novo), William Siri (PSOL) e Anthony Garotinho (Republicanos) protagonizaram um confronto marcado por acusações sobre relações com facções e milícias.

A violência, entretanto, apareceu menos como problema a ser analisado em profundidade e mais como arma retórica contra adversários. As acusações de vínculos com organizações criminosas ocuparam boa parte do confronto, enquanto propostas concretas ficaram em segundo plano.

Saúde foi outro tema relevante. Ruas aproveitou a ausência de Paes para questionar a capacidade do ex-prefeito de enfrentar problemas de cirurgias e atendimentos de média e alta complexidade. Na segurança, defendeu mudanças na política estadual e maior apoio aos policiais.

E nos demais estados?

Nos outros debates, a fórmula se repetiu. Segurança dominou discursos no Distrito Federal e em Goiás, enquanto candidatos procuraram capitalizar indicadores positivos ou prometer endurecimento contra facções. No DF, Celina Leão destacou os índices de segurança; em Goiás, Wilder Morais prometeu tratar facções como organizações terroristas.

Outro dado significativo foi o relativo silêncio sobre Flávio Bolsonaro entre candidatos aliados ao campo bolsonarista. Em São Paulo, Tarcísio preferiu mencionar Jair Bolsonaro; no Rio e em Goiás, candidatos do PL também evitaram fazer da candidatura presidencial uma bandeira central.

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