A delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, está em fase de rascunho e deve ser formalizada em maio, sem data confirmada. O processo ainda está em estágio inicial e promete gerar tensão em Brasília, segundo a colunista Mônica Bergamo, da BandNews FM.
No centro das negociações está a questão financeira: a proposta inicial prevê a devolução de R$ 40 bilhões em dez anos, valor que será o principal eixo do acordo. Investigadores afirmam que não há alvos pré-definidos nem exclusões. A lógica, segundo eles, é estritamente técnica e exige provas robustas, especialmente em casos envolvendo autoridades públicas, nos quais será necessário demonstrar o chamado “ato de ofício”: o que foi solicitado ou executado em razão do cargo.
Vorcaro enfrenta quatro obstáculos para avançar, de acordo com a coluna Radar Econômico, na Veja. O primeiro é admitir as acusações contra ele — obstrução de justiça, ameaças a opositores, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. O segundo é sua resistência a permanecer preso. O terceiro é o valor da reparação financeira. O quarto, e considerado decisivo, é sua capacidade de entregar nomes relevantes do Judiciário.
Nesta fase, o ex-banqueiro relata crimes, indica envolvidos e elenca provas junto a seus advogados. A proposta será depois organizada por temas e apresentada às autoridades, que analisarão sua consistência antes de decidir pela aceitação.
Com a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em nova fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta (16), Vorcaro enfrenta agora uma corrida contra o tempo para apresentar informações que a própria Polícia Federal ainda não tenha apurado.